
O dia em que Obama apontou para Lula e disse: “Eu adoro esse cara”
Em Londres, durante o G20 de 2009, a cena correu o mundo. O encontro aconteceu quando a crise financeira exigia ouvir também países fora do velho centro de poder.
Londres, 2 de abril de 2009. Antes da reunião do G20, Barack Obama cumprimentou Lula e, diante do primeiro-ministro australiano Kevin Rudd, apontou para o brasileiro. Disse que adorava aquele homem e o chamou de político mais popular do mundo. A cena informal correu o noticiário internacional.
Obama estava no começo da Presidência dos Estados Unidos. Lula vivia o segundo mandato, depois de anos de crescimento, redução da pobreza e expansão da presença brasileira no exterior. O encontro ocorria num momento de crise financeira global, quando decisões tomadas nos grandes centros econômicos atingiam empregos e renda em muitos outros países.
O G20 ganhou peso justamente porque a resposta à crise exigia coordenação mais ampla. Economias emergentes tinham participação crescente na produção, no comércio e nas soluções possíveis. Brasil, China, Índia e outros países não podiam ser tratados apenas como destinatários de decisões tomadas por um grupo menor.
A frase de Obama era um elogio pessoal, não uma medição formal de popularidade. Seu valor histórico está na cena e no contexto: o presidente brasileiro recebia reconhecimento público numa reunião em que seu país tinha papel ativo. Lula havia chegado àquela mesa com uma trajetória política ligada a trabalhadores e ao combate à pobreza.

A política externa dos seus governos ampliou relações e espaços de negociação. O Brasil buscou dialogar com diferentes regiões, fortalecer a cooperação Sul-Sul e defender uma participação maior dos países em desenvolvimento. A capacidade de conversar com grandes potências coexistia com a procura de autonomia para formular interesses próprios.
Durante a crise, Lula sustentava a importância de responder às dificuldades econômicas sem abandonar emprego, renda e desenvolvimento. Essa posição encontrava sua política interna de expansão do mercado e proteção social. O debate internacional não ficava separado da vida de quem poderia perder o trabalho quando o sistema financeiro entrava em colapso.
A atenção que o episódio recebeu também fala da representação brasileira. Um ex-metalúrgico, nascido numa família pobre de Pernambuco, participava das decisões globais e era reconhecido pelos demais líderes. A biografia ajudava a tornar a cena memorável, mas a presença do Brasil resultava também da construção diplomática e da dimensão da sua economia.
O elogio de Obama ficou como uma imagem daquele momento. O papel brasileiro era medido pelas propostas, negociações e decisões da reunião, onde Lula defendia que o desenvolvimento precisava incluir quem estava fora das mesas tradicionais. Em Londres, a voz do país aparecia com força num debate cujo custo seria pago por trabalhadores ao redor do mundo.
Fontes
- Reuters / Jornal do Brasil: encontro de Obama e Lula em 2 de abril de 2009
- DGABC: repercussão contemporânea do elogio
- G20: declaração da cúpula de Londres, 2 de abril de 2009
