
O Brasil enfrenta uma das eleições mais graves de sua história. Lula disputa a Presidência contra um integrante da família envolvida na tentativa de golpe e no planejamento de seu assassinato. Agora, essa mesma família tenta voltar ao poder.
Jair Bolsonaro foi condenado pela tentativa de golpe. Eduardo fala em vingança e terra arrasada. Flávio disputa a Presidência enquanto sua campanha tenta retirar do ar canais e publicações de adversários. A família quer voltar ao centro do Estado enquanto mantém conflitos com quem impediu o golpe.
A vingança contra quem impediu o golpe
Em julho de 2025, Eduardo Bolsonaro declarou que aceitaria um cenário de terra arrasada para o Brasil desde que estivesse vingado de ministros do Supremo. Em outubro de 2026, afirmou que Alexandre de Moraes seria retirado do STF caso Flávio assumisse a Presidência.
O confronto alcança militares que recusaram participar da ruptura, investigadores que apuraram os fatos e magistrados responsáveis pelos julgamentos. A Presidência ofereceria à família influência sobre comandos militares, cargos administrativos, órgãos federais e articulações no Congresso. A base parlamentar aliada já tem peso decisivo no Legislativo.
A ofensiva contra opositores começou antes da eleição
A campanha de Flávio conseguiu que Kassio Nunes Marques, presidente do TSE, suspendesse o Exército do Lula, canal de WhatsApp criado por André Janones para mobilizar apoiadores de Lula. Após a reversão da primeira decisão, Nunes Marques voltou a restringir o canal em 13 de outubro. Ele foi restabelecido no dia seguinte.
A mesma campanha pediu medidas contra 48 perfis no Instagram: suspensão de 32 contas e retirada de 221 publicações. Entre os alvos dos pedidos estavam parlamentares, sindicatos, artistas, comunicadores independentes e organizações de esquerda. A campanha alegou desinformação; a amplitude das restrições provocou denúncias de censura.
O presidente do TSE e o Banco Master
Mensagens apreendidas no celular de Daniel Vorcaro e divulgadas pela imprensa descrevem uma festa com mulheres contratadas e referências a alguém chamado Kassio. Nunes Marques negou participação. Outras reportagens revelaram pagamentos ligados a negócios do filho do ministro. A divulgação desses episódios ampliou o escrutínio sobre o entorno do presidente do TSE.
Os 51 imóveis e o dinheiro vivo
Uma investigação do UOL analisou 107 transações imobiliárias realizadas por integrantes da família Bolsonaro desde os anos 1990. Pelo menos 51 aquisições foram pagas total ou parcialmente em dinheiro vivo. As transações somavam R$ 13,5 milhões em valores da época, segundo o levantamento baseado em registros de cartórios.
A rachadinha, os imóveis e a loja de chocolates
O Ministério Público do Rio investigou o antigo gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa, a devolução de salários de funcionários e movimentações financeiras relacionadas ao ex-assessor Fabrício Queiroz. Imóveis e uma loja de chocolates ligada ao senador também apareceram nas apurações, sob suspeitas de lavagem de dinheiro.
