
Estudantes e professores estão reunidos no gramado da Reitoria da Universidade Federal de Minas Gerais na noite desta quinta-feira, 8 de outubro, em uma assembleia pela vitória de Lula e contra o fascismo. A defesa da democracia e da soberania brasileira domina as intervenções. O encontro segue em andamento e convoca a mobilização de amanhã, sexta-feira, 9 de outubro, às 17h, na Praça Afonso Arinos, no Centro de Belo Horizonte.
Sentados na grama, os participantes acompanham as falas, aplaudem e exibem adesivos de apoio a Lula. A concentração ocupa o gramado em frente à Reitoria, com grupos de estudantes reunidos e pessoas acompanhando de pé. Leques coloridos e bandeiras aparecem entre os participantes. A adesão à assembleia dá força à convocação para enfrentar a extrema direita nas ruas e nas urnas.
Adriana Souza, do PT, vereadora de Contagem e recém-eleita deputada estadual, participa da atividade. Professora de História, ela está no encontro ao lado de estudantes e de professores que também fazem intervenções. A deputada estadual Bella Gonçalves (PT), eleita para a Câmara dos Deputados, já falou à assembleia e chamou os presentes a ocupar as ruas.

Da Reitoria à Praça Afonso Arinos
A manifestação está convocada para amanhã, sexta-feira, na Praça Afonso Arinos, onde fica a Faculdade de Direito da UFMG. A União Nacional dos Estudantes (UNE), a União Estadual dos Estudantes (UEE) e o Diretório Central dos Estudantes da UFMG estão entre as entidades responsáveis pela convocação.
Na assembleia, estudantes e professores discutem a mobilização em apoio a Lula no segundo turno e chamam mais gente para o ato. A educação pública e a ciência estão entre as bandeiras, junto à defesa dos direitos e à resistência ao projeto bolsonarista. A luta contra o fascismo atravessa as falas, que ligam a vitória de Lula à defesa da democracia e da soberania.

A mobilização mineira também inclui assembleias e manifestações em outras universidades. O calendário divulgado pelo Brasil de Fato lista atividades na UFJF, na UFU, na Unimontes e na UFVJM nesta quinta-feira, além de um ato na UFOP na sexta. Na UFMG, estudantes já articulam comitês e ações de conversa com a população para o segundo turno.

Bella denuncia ameaças e chama estudantes às ruas
Durante sua intervenção, Bella relatou ameaças de bolsonaristas contra a manifestação de sexta-feira e insistiu na participação dos estudantes. Segundo o relato da cobertura local, a parlamentar disse que a polícia já havia sido avisada, que estaria no ato e que os responsáveis pelas ameaças seriam presos. A informação sobre o policiamento é atribuída a Bella; até a publicação, a reportagem não localizou comunicado oficial da polícia detalhando essa operação.

As intimidações também foram noticiadas pelo Brasil de Fato nesta quinta-feira. O jornal relatou a circulação, em comunidades virtuais ligadas a grupos bolsonaristas, de áudios com ameaças de agressão física, uso de fogos de artifício e roubo de celulares contra os participantes do ato em Belo Horizonte.
À mesma reportagem, a presidente da UNE, Bianca Borges, informou que a entidade está documentando as ameaças e adotando medidas de segurança junto às autoridades. Ela defendeu o direito à manifestação e afirmou que o movimento estudantil não recuará diante das intimidações.
A universidade conhece os cortes do bolsonarismo
O histórico dos cortes também pesa na defesa do ensino público. Em 2019, primeiro ano do governo Jair Bolsonaro, a UFMG sofreu o bloqueio de 30% de sua verba discricionária, cerca de R$ 64,5 milhões. São os recursos que sustentam a manutenção da universidade, contratos, bolsas e despesas necessárias ao funcionamento dos campi.
Em outubro daquele ano, a própria universidade informou que apenas parte do valor havia sido liberada. A pressão sobre o orçamento atingiu as condições de ensino, pesquisa e extensão. Esse histórico ajuda a explicar a reação de quem depende da universidade pública para estudar, trabalhar e produzir conhecimento.

No atual programa de Flávio Bolsonaro, a transferência da governança das universidades federais do Ministério da Educação para o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação provocou reação do ANDES-SN. O sindicato dos docentes avalia que a proposta ameaça a autonomia universitária e abre caminho para subordinar a educação pública aos interesses do mercado.
Democracia e soberania nas falas dos estudantes
A defesa da soberania também orienta as intervenções na assembleia. No debate universitário, ela se liga à capacidade do Brasil de produzir conhecimento e decidir seus próprios rumos. A autonomia das instituições, a liberdade de ensinar e pesquisar e o financiamento público da ciência fazem parte dessa defesa.

A UNE lançou a campanha “Estudantes com Lula” e convocou assembleias, plenárias e ações de rua pelo país. A mobilização busca levar a conversa para além das universidades e organizar a participação da juventude no segundo turno.

A convocação feita no encontro é para amanhã, sexta-feira, 9 de outubro, às 17h, na Praça Afonso Arinos. Estudantes, professores e quem quer se somar à defesa de Lula, da democracia e da soberania têm ali o ponto de concentração em Belo Horizonte.
Fontes consultadas (10)
- Voa Lula, relato da cobertura local e oito fotografias da assembleia na UFMG, 8 de outubro de 2026
- Brasil de Fato, calendário de assembleias e mobilizações em Minas Gerais, 6 de outubro de 2026
- O Tempo, convocação do ato na Praça Afonso Arinos, 6 de outubro de 2026
- UNE, campanha Estudantes com Lula e assembleias pelo país, 6 e 7 de outubro de 2026
- UFMG, bloqueio de R$ 64,5 milhões e desbloqueio parcial do orçamento em 2019
- ANDES-SN, análise do programa de Flávio Bolsonaro para universidades federais, 20 de agosto de 2026
- Hoje em Dia, perfil de Adriana Souza entre os novos deputados eleitos para a ALMG, 5 de outubro de 2026
- Brasil de Fato, ameaças ao ato em Belo Horizonte e medidas de segurança informadas pela UNE, 8 de outubro de 2026
- ALMG, perfil e mandato atual de Bella Gonçalves
- Itatiaia, eleição de Bella Gonçalves para a Câmara dos Deputados, 6 de outubro de 2026
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