
Flávio Bolsonaro quer tirar do ar perfis que apoiam Lula durante a reta final da eleição. Sua campanha apresentou ao Tribunal Superior Eleitoral, na quinta-feira, 8 de outubro, uma ação contra Lula e Geraldo Alckmin. A denúncia cita uma rede de 1.525 contas no Instagram e pede a suspensão de 32 perfis até o encerramento do segundo turno.
O pedido de bloquear contas inteiras atinge a capacidade de seus responsáveis de publicar novos conteúdos e participar do debate eleitoral. É uma tentativa de silenciar vozes da esquerda justamente nas semanas em que Lula e Flávio disputam os votos decisivos.
Denúncia mira a organização dos apoiadores de Lula
Segundo o Times Brasil/CNBC, os advogados atribuem à rede uma atuação coordenada para divulgar informações falsas ou fora de contexto. O levantamento da campanha aponta 16 grupos e 5.882 conexões de coautoria. A petição relaciona a circulação dos conteúdos ao programa Porta-Voz do Lula, que distribui materiais de campanha pelo WhatsApp.
Essas classificações são acusações da equipe de Flávio. Os 1.525 perfis correspondem à rede mapeada pelos advogados; o pedido de suspensão integral, apresentado como medida urgente, alcança 32 contas. Os pedidos ainda dependem de análise da Justiça Eleitoral, conforme a cobertura publicada.
Bloqueios, multas e pedido de cassação
O Poder360 informa que a ação também pede a cassação do registro da chapa Lula-Alckmin, a retirada de 221 publicações e o bloqueio de coautorias entre 48 perfis. A ferramenta collab permite que uma mesma postagem apareça vinculada a diferentes contas no Instagram, rede da empresa norte-americana Meta.
A campanha solicita multas de R$ 100 mil por hora para as plataformas e de R$ 50 mil por publicação para quem descumprir eventual ordem. A suspensão pretendida impediria as 32 contas de se manifestarem até o fim da disputa, inclusive sobre assuntos alheios às postagens contestadas.
TSE mandou retirar publicações do próprio Flávio
No mesmo dia, o TSE determinou por unanimidade a remoção de três publicações feitas por Flávio no X. Segundo o tribunal, uma delas usou inteligência artificial para colocar Lula em uma situação inexistente, sem a identificação exigida. As outras duas associavam o presidente a organizações criminosas.
O relator, André Mendonça, reconsiderou uma decisão anterior. O tribunal destacou a falta de base factual mínima para associar um candidato ao crime organizado e fixou prazo de 24 horas para a retirada dos conteúdos.
A defesa da liberdade de expressão exige enfrentar a falsificação e preservar a crítica política. Apagar perfis inteiros de apoiadores de Lula durante o segundo turno restringe o debate que os eleitores precisam acompanhar. É esse alcance do pedido de Flávio que torna o caso um ataque à participação da esquerda nas redes.
Fontes consultadas (3)
- Poder360, pedidos da ação apresentada pela campanha de Flávio, 8 de outubro de 2026
- Times Brasil/CNBC, denúncia envolvendo 1.525 perfis, 8 de outubro de 2026
- Tribunal Superior Eleitoral, remoção de três publicações de Flávio, 8 de outubro de 2026
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