
Em seis dias, a mobilização de André Janones passou de cerca de 50 mil para 3,3 milhões de seguidores. Neste domingo (11), o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, mandou suspender o “Exército do Lula” após um pedido de Flávio Bolsonaro. O WhatsApp recebeu prazo de três horas, contado da notificação, para cumprir a ordem.
A suspensão impede novas publicações e a entrada de participantes até a homologação do resultado do segundo turno. Uma ferramenta que ganhou milhões de adesões em poucos dias será silenciada durante o restante da disputa eleitoral.
De 50 mil a 3,3 milhões em seis dias
O canal existe desde 15 de abril, segundo o Correio Braziliense. Inicialmente usado na comunicação de Janones, tinha aproximadamente 50 mil seguidores antes do primeiro turno. A mobilização pela reeleição de Lula ganhou força na segunda-feira, 5 de outubro. Na terça (6), ultrapassou 1 milhão de inscritos. Na quarta (7), já eram mais de 2 milhões.
A expansão alarmou a campanha de Flávio. A Folha relatou que integrantes da equipe estavam preocupados com a circulação de conteúdos no WhatsApp, mais difícil de acompanhar que as publicações em redes abertas.
Flávio também organizou sua tropa no WhatsApp
A resposta bolsonarista incluiu uma iniciativa com o mesmo modelo de mobilização: a “Tropa do Flávio”. Segundo o Metrópoles, o canal existe desde 6 de outubro e começou a ser divulgado por Nikolas Ferreira na quinta-feira (8). Na mesma data, Flávio convocou seus seguidores para participar e compartilhar mensagens.
Flávio, portanto, estimula sua própria tropa digital e busca na Justiça a suspensão da ferramenta adversária. O uso do WhatsApp para organizar apoiadores faz parte das duas campanhas. Agora, uma ordem judicial interrompe a comunicação de milhões de participantes de um dos lados.

Silenciar essa rede é uma medida absurda e desproporcional. A velocidade da intervenção e seu alcance exigem explicações: a suspensão integral retira da campanha de Lula uma de suas principais ferramentas justamente quando ela demonstrava capacidade de mobilização.
Três horas para suspender; dias para apresentar provas
A cronologia judicial torna essa cobrança ainda mais relevante. No sábado (10), o corregedor-geral eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, havia determinado que Flávio apresentasse esclarecimentos em 72 horas numa ação relacionada ao canal. O próprio TSE informou que arquivos digitais originais citados na petição não estavam no processo eletrônico e deveriam ser entregues em cinco dias.

