
A Meta reconheceu nesta sexta-feira, 16 de outubro, erros em ferramentas usadas pela campanha de Lula e negou interferência nas eleições brasileiras. O comunicado foi divulgado no dia em que a Folha de S.Paulo revelou mensagens internas sobre restrições ao petista e recomendações de Flávio Bolsonaro nas plataformas da empresa norte-americana.
À noite, o Tribunal Superior Eleitoral formou maioria para manter a ordem que exige tratamento igual às duas candidaturas. Os desdobramentos ampliam a cobrança sobre a companhia que controla Instagram, Facebook e WhatsApp nos dias finais da disputa presidencial.
Mensagens relatam restrições a Lula e recomendações de Flávio
Segundo a reportagem de Patrícia Campos Mello, publicada pela Folha às 11h49, funcionários reconheceram que a conta de Lula estava limitada em comparação à de Flávio. O episódio envolveu quase 24 horas sem conseguir impulsionar publicações do feed, entre 9 e 10 de outubro. Anúncios antigos continuaram ativos, e havia outra forma de criar publicidade.
As conversas também relatam recomendações indevidas do perfil de Flávio no Instagram e de seu canal no WhatsApp. O jornal informa que os registros discutem falhas técnicas e a demora para resolvê-las. A revelação documenta problemas de tratamento entre as candidaturas e permite cobrar explicações sobre cada ocorrência.
A empresa reconhece erros e contesta interferência
No comunicado oficial, a Meta atribuiu o problema de 9 de outubro a uma atualização de código que afetou anunciantes de vários países e foi revertida na madrugada seguinte. A empresa confirmou ainda a desativação equivocada da conta de anúncios de Lula por pouco mais de uma hora em 23 de setembro, durante uma análise antifraude.
Sobre a inteligência artificial, afirmou que uma falha permitia gerar cartazes com primeiro nome e número eleitoral, apesar do bloqueio a nomes completos. Disse que a brecha atingia comandos associados aos dois candidatos e foi corrigida no mesmo dia. A companhia sustenta que seus sistemas seguem critérios iguais e rejeita a acusação de favorecimento político.
A cobrança chegou às ruas fora do Brasil. Brasileiros protestaram nesta sexta diante de escritórios da Meta em Paris e Dublin. Segundo a cobertura da Folha, os manifestantes pediram uma auditoria independente dos algoritmos; o coletivo que organizou o ato parisiense também levou suas denúncias à Comissão Europeia.
Maioria no TSE reforça obrigação de igualdade
Segundo o UOL, em atualização das 20h02, a ordem de Marco Aurélio Bellizze já reunia cinco votos no plenário virtual. Obtida pela coligação de Lula, a decisão impõe multa diária de R$ 500 mil em caso de descumprimento. O julgamento ainda estava em andamento.
A determinação alcança a distribuição de conteúdo, o uso da inteligência artificial e anúncios eleitorais pagos ou geridos por contas estrangeiras. A análise de punições por episódios anteriores à ação depende de outra decisão. A obrigação imediata é assegurar critérios iguais durante o segundo turno.
