
Nikolas Ferreira, deputado federal, ataca jovem trabalhadora vítima de roubo
Na sexta-feira, 9 de outubro, Carolina Fonseca, jovem profissional de audiovisual de Belo Horizonte, foi trabalhar durante uma manifestação estudantil na cidade. Segundo seu relato, saiu de lá sem seus dois celulares, ferramentas essenciais para sua profissão.
Abalada, publicou um vídeo contando o que havia acontecido. Era um relato pessoal, dirigido a amigos e familiares.
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) decidiu transformar aquele momento em conteúdo político.
Em seu Instagram, compartilhou o vídeo da jovem acompanhado da frase: “mais uma que teve o celular socializado, dessa vez em bh na manifestação pró Lula.” A publicação ainda ironizava: “O amor venceu”.

A mensagem sugeria uma associação entre o roubo e os participantes da manifestação. Mas havia uma informação anterior que altera o contexto dessa história.
As ameaças vieram antes
Em 8 de outubro, um dia antes da manifestação, o deputado Rogério Correia (PT-MG) havia registrado um boletim de ocorrência após estudantes de Direito da UFMG denunciarem ameaças contra os organizadores do ato.
Segundo reportagens publicadas pela Itatiaia, pelo Metrópoles e pelo Estado de Minas, mensagens e áudios atribuídos a integrantes de grupos contrários à manifestação mencionavam expressamente agressões, furtos e roubos contra os participantes.
Portanto, quando Carolina teve seus celulares levados, já existia uma denúncia formal sobre ameaças precisamente dessa natureza.
Não foi estabelecido quem cometeu o roubo. Essa identificação depende de investigação.
O registro anterior das ameaças torna ainda mais grave a tentativa de utilizar o episódio como demonstração de que a violência seria consequência da orientação política dos manifestantes.
De vítima de roubo a alvo político
Carolina, identificada no Instagram como @carolfsd, afirma que Nikolas compartilhou seu vídeo sem autorização e em tom de deboche.
Segundo seu relato, depois da publicação passou a receber inúmeros ataques, ofensas e comentários insinuando que merecia ter sido roubada.
Ela precisou limitar os comentários em suas redes sociais. Uma mulher que havia perdido seus instrumentos de trabalho passou a enfrentar também a hostilidade de pessoas que sequer a conheciam.

