
A Polícia Federal prendeu nesta quinta-feira, 15 de outubro, Márcio Canella, deputado estadual eleito pelo União Brasil e ex-prefeito de Belford Roxo, e o delegado Marcus Amim, ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro. A oitava fase da Operação Unha e Carne investiga uma organização suspeita de usar postos de combustíveis para lavar dinheiro, com participação de agentes públicos e articulação política.
A PF confirmou que os seis alvos de mandados de prisão preventiva foram presos. A ação integra a Força-Tarefa Missão Redentor II, coordenada pela corporação para enfrentar organizações criminosas no estado, sob diretrizes fixadas pelo Supremo Tribunal Federal na ADPF 635.
Seis prisões e uma rede de empresas
Além das prisões, a operação incluiu 16 mandados de busca e apreensão em sete municípios: Rio de Janeiro, Niterói, Angra dos Reis, Petrópolis, Armação dos Búzios, Nova Iguaçu e São Gonçalo. A Corregedoria da Polícia Civil acompanhou as diligências contra policiais investigados.
Segundo a PF, a Justiça determinou o sequestro de bens e a suspensão das atividades econômicas de 112 empresas, das quais 96 são postos de combustíveis. O UOL informou que Alexandre de Moraes autorizou a operação e limitou o bloqueio patrimonial a até R$ 700 milhões, abrangendo 12 pessoas e 11 empresas. A suspensão de atividades e o bloqueio de patrimônio são medidas distintas.
A investigação identificou movimentação superior a R$ 7,6 bilhões em seis anos, com base em um Relatório de Inteligência Financeira do Coaf enviado à PF.
O elo entre dinheiro e poder público
A CNN Brasil relatou que os investigadores atribuem a Canella o papel de articulador político da organização. Segundo a reportagem, manuscritos apreendidos indicam repasses ligados à rede de postos. A apuração também examina transações cuja origem a PF afirma não ter conseguido esclarecer.
Canella recebeu 197.178 votos e foi o segundo deputado estadual mais votado no Rio neste ano. Antes de disputar a Assembleia Legislativa, era pré-candidato ao Senado com apoio de Flávio Bolsonaro. Ele já havia sido preso em julho, numa fase anterior da investigação, e depois passou a responder em liberdade mediante medidas cautelares.
As suspeitas envolvem o encontro entre negócios privados, agentes de segurança e estruturas políticas. A força-tarefa investiga a circulação do dinheiro e a proteção que, segundo a PF, permitia o funcionamento da rede. Entre os crimes apurados estão organização criminosa armada, lavagem de dinheiro, corrupção, violação de sigilo funcional e formação de cartel.
O que dizem as defesas
Ao UOL, a assessoria de Canella afirmou que ainda não havia tido acesso aos autos. A defesa de Marcus Amim informou que aguardava acesso ao delegado e ao teor integral da decisão judicial para prestar esclarecimentos. Canella nega as acusações, segundo o relato do veículo.
