Lula encerra campanha nas ruas; pesquisas apontam empate técnico; TSE cobra plataformas; operação israelense desloca famílias em Hebron.
Voa Lula · voalula.com
Resumo do dia: 24 de outubro de 2026
Lula encerra campanha nas ruas; pesquisas apontam empate técnico; TSE cobra plataformas; operação israelense desloca famílias em Hebron.
Por Voa Lula Publicada em 24 de outubro de 2026 às 22:04 6 minutos
Pedro Henrique Leite/UOL · Ato em Copacabana, 24/10/2026.
A véspera da eleição presidencial terminou com mobilizações de Lula no Rio e em São Paulo e pesquisas que mantêm a disputa com Flávio Bolsonaro dentro da margem de erro. A circulação de mensagens eleitorais esteve no centro das decisões do TSE e de novas investigações jornalísticas. No exterior, operações militares, dependência tecnológica e protestos por condições de vida marcaram o sábado (24).
A campanha termina nas ruas e com disputa apertada
Lula reuniu apoiadores em Copacabana pela manhã e encerrou a campanha de rua na Avenida Paulista. A cobertura da Tribuna do Sertão, citando a Folha, registrou público distribuído por pelo menos 12 quarteirões em São Paulo. Sindicatos e movimentos sociais organizaram a mobilização em defesa de direitos trabalhistas e programas públicos. A dimensão dos atos expressa capacidade de mobilização; o resultado será definido pelo comparecimento e pelo voto de domingo.
Datafolha e Quaest apontaram Flávio com 51% e Lula com 49% dos votos válidos, em empate técnico. Os dois levantamentos têm margem de dois pontos percentuais. O Datafolha ouviu 4.050 pessoas em 23 e 24 de outubro; a Quaest, 3.702 no mesmo período. Os votos válidos excluem brancos, nulos e indecisos. A pesquisa Quaest foi divulgada à noite, e a reportagem do Datafolha recebeu atualização às 20h15.
O último debate continuou repercutindo pelo ataque de Flávio à deficiência física de Lula. O senador usou a perda de um dedo do presidente em uma crítica sobre renda e impostos. Lula lembrou o acidente sofrido aos 17 anos na fábrica, relacionou a lesão às condições de trabalho e exigiu uma retratação. Flávio pediu desculpas. O episódio colocou a experiência dos trabalhadores acidentados no centro do confronto entre os candidatos.
Tribunal e pesquisadores examinam a circulação das mensagens
Ricardo Villas Bôas Cueva determinou que a Meta deixe de recomendar a não seguidores publicações eleitorais de Nikolas Ferreira e Pablo Marçal, conforme Folha e UOL. Meta e X devem fornecer relatórios de alcance a cada seis horas no fim de semana eleitoral. As empresas norte-americanas terão de separar visualizações de seguidores e de pessoas alcançadas pelos mecanismos de recomendação. A fiscalização permite examinar a distribuição, além do conteúdo das mensagens.
Em outra decisão, Cueva mandou retirar do canal de WhatsApp Tropa do Flávio um áudio falso atribuído a Gustavo Gayer. A gravação acusa mesários de votar por eleitores ausentes para favorecer Lula. Segundo o comunicado do TSE, a mensagem chegou a cerca de 25 mil encaminhamentos em poucas horas. A identificação do eleitor e os registros de liberação da urna permitem fiscalização. O tribunal preservou o restante do canal e advertiu sobre novas sanções em caso de repetição.
A Agência Pública revelou uma rede de 60 canais do Telegram com 418 publicações que questionam a confiabilidade das urnas. Cinquenta e oito canais compartilhavam apoio a Flávio; 245 dos registros se concentraram entre maio e outubro de 2026. O levantamento de Vitor Almeida mostra a continuidade de alegações já desmentidas, inclusive depois da publicação de checagens oficiais. A recirculação mantém suspeitas disponíveis para serem reapresentadas quando a votação se aproxima.
Já a Lupa contou 30 ações da campanha de Flávio para retirar conteúdo por alegadas notícias falsas, contra 14 da campanha de Lula. Ethel Rudnitzki e Francisco Amorim analisaram processos até 20 de outubro. Oito pedidos do PL foram acolhidos total ou parcialmente e oito rejeitados. O levantamento, publicado neste sábado, confronta o recurso frequente ao tribunal com o discurso de Flávio contra a censura. A contagem é de ações, e não de publicações removidas.
O NetLab UFRJ e o IPIE cobraram dados mais precisos da Meta sobre publicidade eleitoral. Em uma amostra de 7.677 anúncios do primeiro turno, os pesquisadores não conseguiram calcular o preço em 52% dos casos. Estimativas iniciais indicaram custos maiores para Lula, mas um teste adicional não confirmou diferença estatisticamente segura. O estudo sustenta a cobrança por valores exatos e informações de distribuição, necessárias para comparar as condições oferecidas às campanhas. A Meta contestou a metodologia.
Eduardo Bolsonaro mencionou fuzileiros navais dos Estados Unidos ao responder, rindo, a uma pergunta sobre uma eventual derrota do irmão no programa Louder with Crowder, na sexta-feira. Depois, defendeu que Flávio deixe o Brasil se perder, segundo SBT News e Metrópoles. A entrevista também repetiu suspeitas sobre as urnas. Ao levar a reação a uma eleição brasileira para um programa norte-americano e mencionar tropas estrangeiras, Eduardo recolocou a soberania no debate da reta final.
Direitos, guerra e condições de vida além da campanha
Reportagem de Augusta Lunardi, na Pública, reuniu denúncias de perseguição eleitoral contra indígenas. Na Terra Indígena Votouro, no Rio Grande do Sul, três pessoas morreram em 13 de outubro, em um conflito seguido de ação policial. Moradores relacionam as tensões a punições contra apoiadores do PT; a Brigada Militar atribuiu o confronto a uma disputa interna e disse ter sido recebida a tiros. A PF investiga as mortes. Lideranças Yanomami também relataram ameaças de retorno de garimpeiros caso Flávio vença.
Em Hebron, na Cisjordânia ocupada, forças israelenses realizaram uma operação depois da morte de dois soldados em um ataque na sexta-feira. Autoridades palestinas estimaram entre 150 e 250 famílias deslocadas, segundo a Euronews. O governador Khaled Dudin denunciou punição coletiva contra civis. O Exército afirma buscar militantes e armas. A operação ocorre dias antes da eleição israelense e atinge moradores que precisam deixar suas casas e atravessar controles militares.
A Ucrânia anunciou a normalização de Starlink e Starshield após restrições que prejudicaram operações militares. Elon Musk acusou Kiev de violar condições de uso; um assessor ucraniano contestou a alegação, segundo a Reuters. Os sistemas usam tecnologia da empresa norte-americana SpaceX. O episódio expõe a dependência militar de serviços controlados fora do país.
Na França, manifestações contra o custo de vida e a falta de recursos para educação voltaram às ruas. As autoridades contaram 410 mil participantes no país; os organizadores falaram em mais de 800 mil, segundo a Euronews. Em Paris, a polícia usou gás lacrimogêneo e canhões de água. O governo reforçou a segurança, enquanto sindicatos e partidos de esquerda criticaram mudanças no percurso autorizado.
Em Portugal, milhares protestaram por moradia em Lisboa, Porto e outras cidades. Os movimentos pedem medidas contra aluguéis altos, despejos sem alternativa habitacional e compras de imóveis por fundos, segundo a Euronews. Organizadores estimaram 25 mil pessoas em Lisboa. No Porto, uma assembleia decidiu voltar a montar tendas para passar a noite na praça. As manifestações cobram uma resposta pública ao preço de viver nas cidades.
Nos Estados Unidos, sobreviventes de abuso sexual aprovaram um acordo de US$ 800 milhões com a Arquidiocese de Nova York, envolvendo cerca de 1.300 pessoas. A Reuters confirmou a aprovação às 20h41 de Brasília. O acordo prevê também a divulgação de documentos sobre agressores na Igreja e permite ações contra seguradoras. Os registros podem esclarecer a responsabilidade institucional pelos abusos.
Fontes consultadas (26)
Igor Gielow, Folha/Datafolha, 24/10, 18h30, atualizado 20h15. Pesquisa de 23 e 24/10.
Folha/Quaest, 24/10, 19h13, atualizado 19h20. Números e metodologia.
Tribuna do Sertão, 24/10. Cobertura da Paulista e relato da Folha; sem adotar estimativa de público não confirmada.
Vitor Almeida, Agência Pública, 24/10, 17h33. Levantamento original de canais e mensagens.
Augusta Lunardi, Agência Pública, 24/10, 15h19. Relatos indígenas e respostas das autoridades.
Anna Kirchheim, Euronews, 24/10. Operação em Hebron e estimativas atribuídas de deslocamento.
Yuliia Dysa, Reuters, 24/10. Restabelecimento de Starlink e Starshield e declarações de Musk e da Ucrânia.
Nathan Rennolds, Euronews, 24/10. Protestos, estimativas distintas de público e atuação policial.
Lina Ferreira, Euronews, 24/10, atualizado 23h20 GMT+2. Protestos por moradia em Portugal.
David Brunnstrom, Reuters, 24/10, 23h41 UTC (20h41 de Brasília). Aprovação do acordo por sobreviventes.
Ethel Rudnitzki e Francisco Amorim, Agência Lupa, 24/10/2026, 14h04. Levantamento original de representações no TSE, com coleta até 20/10.
TSE, Resolução 23.610/2019, texto compilado vigente. Artigo 38, remoção de conteúdo da internet.
NetLab UFRJ, 23/10/2026. Comunicado original sobre o estudo e as limitações dos dados públicos.
IPIE e NetLab, Ads Without Accountability, outubro de 2026. Resumo original, amostra e recomendações.
Agência Lusa/Observador, 23/10/2026, 21h29. Estimativas e teste adicional de robustez.
Túlio Amâncio, SBT News, 23/10/2026. Faixas de gastos e resposta da Meta.
SBT News, 23/10/2026. Relato da entrevista, pergunta do espectador e defesa da saída de Flávio.
Álvaro Luiz, Metrópoles, 23/10/2026, atualizado às 18h57. Sequência da conversa e declarações de Crowder.
TSE, 23/10/2026, 20h21. Comunicado original da decisão, alcance registrado e AIJE 0603360-74.2026.6.00.0000.
Justiça Eleitoral, Fato ou Boato, 14/10/2026, atualizado em 15/10. Identificação dos eleitores e registros da habilitação da urna.
Pedro Henrique Leite e Fernanda Bassi, UOL, 24/10/2026, 9h41, atualizado às 10h19. Cobertura no local e fotografia do ato.
Redação CUT, 23/10/2026, 12h20, atualizado às 12h36. Agenda nacional, convocações e horários do Rio e de São Paulo.
UOL, 24/10/2026, 1h12. Transcrição da sequência de falas sobre a perda do dedo e o pedido de desculpas.
Pedro Rafael Vilela, Agência Brasil, 24/10/2026, 2h20. Reação de Lula, acidente de trabalho e retratação.
Karina Matias e Mônica Bergamo, Folha de S.Paulo, 23/10/2026, 23h49; atualizada em 24/10, 0h58. Relatórios a cada seis horas e regra de recomendação.
Ana Pompeu, Folha de S.Paulo, 24/10/2026, 0h24. Hipóteses proibidas, multas e verificação judicial.