
Sabotagem em marcha: o cerco à campanha de Lula
A multidão que ocupou a Avenida Paulista com Lula neste domingo mostrou a força de uma campanha que voltou às ruas. Do lado de fora do ato, porém, seus meios de mobilização sofriam sucessivos golpes: o canal de Janones no WhatsApp era suspenso, o Brasil Fora da Caverna denunciava o bloqueio de collabs e a estação Trianon-Masp fechava diante da manifestação. Nos dias anteriores, ameaças de morte e estupro haviam levado a equipe de Ana Elisa a retirar sua conta do X.
Esses episódios atingem os caminhos pelos quais uma campanha cresce. O canal reúne apoiadores. A colaboração entre páginas leva notícias a novos públicos. O transporte permite chegar ao ato. A segurança permite participar sem medo. Quando esses caminhos são interrompidos, a disputa eleitoral fica mais desigual. A campanha passa a gastar suas forças recuperando acesso, contestando decisões e protegendo pessoas.

Janones: um canal inteiro fora da disputa
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Kassio Nunes Marques, determinou a suspensão do “Exército do Lula”, canal administrado por André Janones no WhatsApp, atendendo à campanha de Flávio Bolsonaro. Cerca de 3,3 milhões de pessoas acompanhavam o canal. A decisão invoca a reprodução de conteúdos considerados inverídicos pelo tribunal. Janones contestou a acusação e denunciou censura.
A suspensão alcança toda a estrutura de comunicação. Notícias, convocações e orientações de mobilização perdem o acesso a milhões de apoiadores no período mais curto e decisivo da eleição. O efeito ultrapassa as publicações questionadas: interrompe também o que seria divulgado dali em diante. Flávio obtém, pela via judicial, a retirada de um instrumento importante da mobilização adversária.
A mesma campanha pediu, em outra ação, a suspensão integral de 32 perfis do Instagram e restrições às publicações em colaboração. A liberdade de expressão que o bolsonarismo tanto reivindica para si encolhe diante da comunicação da esquerda. Seus adversários passam a enfrentar pedidos para que atravessem o fim do segundo turno sem poder publicar.
Brasil Fora da Caverna: uma ponte entre públicos sob bloqueio
O Brasil Fora da Caverna denunciou que suas collabs foram derrubadas. A publicação reproduzida abaixo reúne esse relato à suspensão do canal de Janones e aos relatos sobre trens em São Paulo. A página registra o problema no momento em que as redes têm um papel central na divulgação da mobilização de rua.
As collabs levam uma publicação aos seguidores de diferentes contas. São uma das formas pelas quais páginas independentes ampliam sua audiência e fazem uma notícia atravessar bolhas. O bloqueio dessa ferramenta reduz a circulação justamente onde a comunicação popular encontrou espaço para crescer. O prejuízo vai de quem produz o conteúdo a quem deixa de recebê-lo.


