
O Tribunal Superior Eleitoral mandou o Partido Liberal retirar do Instagram um vídeo produzido com inteligência artificial que associa Luiz Inácio Lula da Silva a uma facção criminosa. O plenário decidiu por unanimidade na noite de terça-feira, 13 de outubro. A peça simula um aperto de mão entre o presidente e o ex-deputado Uldurico Junior dentro de um presídio.
Uma cena fabricada dentro da prisão
Segundo o relato oficial do TSE, a montagem também exibe uma cela com as iniciais de uma facção e a imagem de Lula ao fundo. Uldurico, que recebeu apoio do presidente na eleição municipal de 2024, foi preso pela Polícia Federal sob suspeita de receber dinheiro para facilitar uma fuga de detentos na Bahia.
A relatora Estela Aranha considerou que o vídeo atribui ao candidato vínculos com organizações criminosas sem sustentação factual. Floriano de Azevedo Marques acompanhou a retirada por outro fundamento: a proibição de usar IA para simular a figura humana do candidato. André Mendonça aderiu a essa posição.
O plenário também julgou outras postagens
Em três processos separados, relatados por Mendonça, o tribunal manteve a retirada de conteúdos que associavam os dois presidenciáveis à criminalidade. Uma postagem de Flávio Bolsonaro intercalava declarações de Lula fora de contexto com cenas de violência e narcotráfico. Outra, do perfil Dama de Ferro, o vinculava ao PCC e ao Comando Vermelho.
A terceira ação preservou a remoção de publicações dos deputados Lindbergh Farias e Rogério Correia contra Flávio Bolsonaro. A Agência Brasil registrou os julgamentos e a preocupação do presidente do TSE, Nunes Marques, com o crescimento da judicialização entre as campanhas.
A montagem muda o sentido da informação
O plenário estabeleceu que uma parte ilícita pode justificar a retirada da publicação inteira, inclusive de um carrossel. Nas três representações, determinou remoção em três horas, com multa diária, e proibiu novas versões iguais ou substancialmente equivalentes.
O problema da cena artificial começa na aparência de registro: o espectador recebe como imagem de um encontro aquilo que foi montado. Ao transportar Lula para uma prisão e aproximá-lo visualmente de uma facção, o vídeo acrescenta uma situação fabricada à informação sobre um antigo aliado. Esse expediente altera a mensagem antes mesmo de qualquer explicação escrita.
As decisões preservam espaço para críticas políticas duras, mas impõem consequências a acusações sem base e à manipulação de imagens. A disputa sobre segurança pública continua aberta; uma cena inventada não oferece ao eleitor informação sobre políticas, resultados ou responsabilidades.
Fontes consultadas (3)
- TSE: decisão sobre vídeo produzido com IA, 13/10/2026
