
Acorda: a CLT vai acabar. Flávio diz que ela é de uma época sem internet
Flávio Bolsonaro chama a CLT de ultrapassada e quer que a jornada seja "a que o trabalhador quiser". Jair Bolsonaro já tinha dito que preferia menos direito e mais emprego. Quando esse argumento virou lei, em 2017, o resultado foi o contrato intermitente.
Se a CLT é "velha" e a jornada passa a ser a que o trabalhador quiser, quem manda nas suas horas é a empresa.
Em 19 de maio, Flávio Bolsonaro disse que a CLT vem de uma época sem internet, home office e aplicativos de entrega, e que a jornada tem que ser a que o trabalhador quiser, com liberdade. Em seguida listou o que ficaria: FGTS, INSS, férias e décimo terceiro.
O pai já tinha mostrado o raciocínio. Em outubro de 2019, em Pequim, Jair Bolsonaro disse que, se fosse possível, queria menos direito e mais emprego. Em 2018, no Jornal Nacional, afirmou que o trabalhador teria de escolher entre direitos e emprego.
A conta desse argumento já foi feita no Brasil. A reforma trabalhista de 2017 prometia emprego em troca de flexibilidade. O parecer do projeto projetava 14 milhões de vagas em dez anos. O trabalho intermitente, criado por ela, hoje é 0,9% dos empregos formais, e em 2025, segundo o Dieese, 49,5% desses contratos não registraram trabalho nem renda.

Na Argentina, que a campanha cita como inspiração, a reforma trabalhista de Milei amplia a jornada para até 12 horas e reduz indenizações.
O padrão se repete. Primeiro a lei é chamada de velha. Depois vem a flexibilidade. No fim, quem decide as horas é quem paga o salário. A lista de direitos mantidos é curta, e quem vive de emprego sabe que o que fica de fora pesa mais.
No pior cenário, a CLT vira uma opção entre várias e quem a escolhe é preterido na contratação. Em poucos anos, a carteira assinada vira exceção, e o trabalhador negocia férias, décimo terceiro e FGTS um a um, sozinho, com quem tem a vaga.
Análise do Voa Lula, baseada em fatos, falas, histórico, outros governos e interpretação.
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Fontes
- Flávio diz que CLT está ultrapassada e propõe alternativa à escala 6x1, Poder360
- Flávio: nossa proposta é que os trabalhadores decidam quantas horas querem trabalhar por dia, DGABC
- Bolsonaro diz no JN que trabalhador terá de escolher entre direitos e emprego, InfoMoney
- Os trabalhadores querem menos direitos e mais trabalho, diz Bolsonaro, CartaCapital
- Trabalho intermitente aumenta incerteza e imprevisibilidade dos trabalhadores, Boletim Emprego em Pauta nº 33, Dieese
- Reforma trabalhista de Milei avança na Câmara dos Deputados após greve na Argentina, Diario de Pernambuco

