
A pesquisa nacional mostra uma disputa presidencial estreita. O mapa dos estados, porém, revela que Lula e Flávio Bolsonaro chegam à reta final apoiados em territórios eleitorais muito diferentes.
Levantamentos do Datafolha divulgados em 25 de setembro colocam Flávio à frente em São Paulo, Rio de Janeiro e Distrito Federal. Lula abre uma vantagem ampla em Pernambuco. Minas Gerais, o segundo maior colégio eleitoral do país, permanece no limite da margem de erro.
A leitura regional ajuda a entender a estratégia dos últimos dias de campanha. Mais do que buscar votos de maneira uniforme, cada candidatura precisa proteger suas fortalezas e reduzir o prejuízo onde o adversário lidera.
São Paulo e Rio ampliam a vantagem de Flávio
Em São Paulo, Flávio registra 38% no primeiro turno, contra 33% de Lula. Numa simulação de segundo turno, a distância cresce: 49% a 41%.
O estado concentra o maior eleitorado do país. Uma diferença de oito pontos em uma unidade desse tamanho pode compensar parte importante da vantagem petista no Nordeste. Para Lula, reduzir a distância paulista tem peso quase tão grande quanto avançar em estados menores.
No Rio de Janeiro, berço político da família Bolsonaro, Flávio alcança 44% no primeiro turno e Lula, 38%. No segundo, o senador aparece com 51%, diante de 42% do presidente.
O Distrito Federal repete a inclinação favorável ao candidato do PL: 41% a 34% no primeiro turno e 51% a 41% no segundo.
Pernambuco continua sendo a muralha de Lula
Em Pernambuco, Lula soma 60% no primeiro turno, contra 24% de Flávio. No segundo turno simulado, a vantagem é de 64% a 29%.
A distância confirma o Nordeste como principal base eleitoral do presidente, mas também estabelece uma exigência estratégica. Para neutralizar o desempenho do adversário no Sudeste, Lula precisa manter participação alta e transformar sua vantagem regional em comparecimento efetivo às urnas.
Minas permanece aberta
Minas Gerais oferece o retrato mais apertado. Lula tem 39% e Flávio, 37% no primeiro turno. No segundo, Flávio aparece numericamente à frente, com 46%, e Lula marca 44%. As duas diferenças configuram empate técnico dentro da margem de erro de três pontos.
Minas combina regiões metropolitanas, cidades médias, agronegócio, indústria e municípios de renda mais baixa. Essa diversidade costuma aproximar o comportamento do estado da média nacional, razão pela qual campanhas tratam o território mineiro como uma espécie de fronteira decisiva.
A pesquisa nacional segue apertada
No levantamento nacional realizado em 22 e 23 de setembro, Lula aparece com 40% no primeiro turno e Flávio, 36%. Em eventual segundo turno, o placar é de 47% a 45%, uma diferença dentro da margem de erro.
Pesquisa não é previsão do resultado. Ela registra preferências no período das entrevistas, sujeitas à margem de erro, à composição da amostra, à decisão dos indecisos e ao comparecimento.
Os números estaduais tampouco podem ser somados diretamente para projetar o resultado nacional. As amostras são independentes e cada unidade tem peso diferente no eleitorado. O valor do mapa está em mostrar onde a disputa é mais desigual e onde pequenas mudanças podem produzir maior efeito.
A fotografia desta reta final é clara: Lula conserva uma fortaleza no Nordeste; Flávio possui vantagem nos maiores territórios onde a direita bolsonarista é mais competitiva; e Minas continua sem dono. É nesse equilíbrio regional, além do placar nacional, que a eleição será decidida.
Fontes consultadas (3)
- Folha de S.Paulo/Datafolha — disputa presidencial em SP, RJ, MG, PE e DF
- Folha de S.Paulo/Datafolha — recortes do levantamento nacional
- TSE — sistema de registro de pesquisas eleitorais
