
Um parecer técnico contrário ficou no caminho de um negócio de R$ 500 milhões para o Banco Master. Segundo mensagens reveladas pela Folha de S.Paulo nesta quinta-feira, 22 de outubro, Daniel Vorcaro pediu a Paulo Sérgio Neves de Souza, então chefe-adjunto da Supervisão Bancária do Banco Central, que pressionasse a Caixa a contestar a análise.
Meio bilhão para financiar o Master
Vorcaro queria que fundos administrados pela Caixa Asset comprassem títulos do Master. Nessa operação, o dinheiro dos cotistas financiaria o banco, que assumiria o compromisso de devolver os recursos com juros.
As conversas são de julho de 2024. Diante da resistência técnica à compra, o banqueiro procurou alguém da instituição encarregada de fiscalizar seu próprio banco para pressionar a possível compradora.
Títulos sem cobertura do FGC
Os papéis negociados eram letras financeiras, usadas pelos bancos para captar recursos por prazos longos. Esses títulos não contam com a garantia do Fundo Garantidor de Créditos, conforme o glossário do Banco Central. Os fundos compradores assumiriam o risco de o Master não honrar o pagamento.
A Caixa Asset informou à Câmara que a proposta foi retirada de pauta após o comitê pedir novos estudos. A resposta ao requerimento 2596/2024, do deputado Marcos Tavares (PDT-RJ), foi encaminhada por Fernando Haddad em setembro daquele ano. A compra acabou não acontecendo.
