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China, Índia e a abertura de novos caminhos
Em duas grandes missões à Ásia, o Brasil reuniu governos e empresários, negociou acesso a mercados e aprofundou relações que ganhariam peso crescente.
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4. China, Índia e a abertura de novos caminhos
2004 • Lula I
Em duas grandes missões à Ásia, o Brasil reuniu governos e empresários, negociou acesso a mercados e aprofundou relações que ganhariam peso crescente.
Abertura
Índia e China ocupavam lugares complementares na estratégia de diversificação. A Índia reunia mercado, tecnologia e posições próximas na OMC; a China vivia rápida expansão e demandava alimentos, minérios e energia. Em janeiro, Lula visitou Nova Delhi, Agra e Mumbai como convidado do Dia da República. O acordo básico de preferências Mercosul–Índia abriu uma negociação tarifária, sem criar livre comércio imediato. Em maio, a missão à China reuniu ministros, governadores, parlamentares e mais de 420 empresários. Lula encontrou Hu Jintao e defendeu uma nova geografia do comércio. Foram firmados atos públicos e privados de naturezas diferentes, sujeitos a licenças, financiamento e implementação. O IBAS, criado em 2003, realizou em Nova Delhi sua primeira comissão mista e definiu programa de trabalho. Nos anos seguintes, China tornou-se o principal parceiro comercial do Brasil e o comércio cresceu, com concentração em produtos básicos. Esse resultado refletiu demanda chinesa, preços internacionais e decisões empresariais, não apenas a viagem de 2004.
O que estava em jogo
Em 2004, o Brasil buscava diversificar mercados e reduzir a dependência dos parceiros tradicionais. China e Índia reuniam escala econômica, demanda por alimentos e minérios e interesse em tecnologia, energia e cooperação entre países em desenvolvimento. Para o governo brasileiro, aproximar-se das duas potências também ampliava o peso do país nas negociações da Organização Mundial do Comércio.
O percurso
A missão à China passou por Pequim e Xangai e reuniu governo e empresários. Na Índia, a agenda combinou encontros bilaterais e a formação do IBAS, mecanismo criado por Índia, Brasil e África do Sul. Os dois movimentos pertenciam à mesma estratégia: abrir mercados e criar articulação política entre grandes democracias do Sul Global.
Encontros e decisões
Na China, foram assinados acordos de cooperação e tratados temas de comércio, infraestrutura, ciência e tecnologia. A visita consolidou a Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível como canal de coordenação. Com a Índia e a África do Sul, o IBAS passou a organizar consultas políticas, projetos de cooperação e posições comuns em fóruns multilaterais.
Resultados documentados
A China avançou rapidamente entre os principais parceiros comerciais do Brasil e se tornaria o maior deles em 2009. O IBAS realizou cúpulas, criou um fundo de cooperação e articulou posições em comércio e reforma da governança internacional. Esses resultados decorreram de negociações continuadas e não apenas das visitas presidenciais.
O que aconteceu depois
A relação com a China ganhou dimensão estrutural, com forte crescimento do comércio e novos investimentos, embora concentrada em produtos básicos no lado brasileiro. O IBAS permaneceu ativo, mas perdeu centralidade política após a consolidação dos BRICS. A aproximação com Índia e China abriu caminhos que seriam retomados nos anos seguintes.
Cronologia resumida
- 25–27 jan: visita à Índia
- jan: acordo básico Mercosul–Índia
- 4–5 mar: comissão mista do IBAS
- 22–26 maio: missão à China
- ago: 30 anos de relações Brasil–China
Fontes consultadas (4)
- Viagens internacionais de 2004
- Acordo Mercosul–Índia
- Documentos do IBAS
- Resenha de Política Exterior
Atualizado em 21 de setembro de 2026
