
Viagens
Novas alianças no Sul Global
Viagens e cúpulas consolidaram uma estratégia de diversificação e criaram espaços de coordenação entre países em desenvolvimento.
Imagem ilustrativa criada com IA
7. Novas alianças no Sul Global
2005–2006 • Lula I
Viagens e cúpulas consolidaram uma estratégia de diversificação e criaram espaços de coordenação entre países em desenvolvimento.
Abertura
A política externa passou da aproximação bilateral para mecanismos permanentes. África, Ásia, América Latina e mundo árabe reuniam mercados, votos em organismos internacionais e experiências de desenvolvimento. A Cúpula América do Sul–Países Árabes, realizada em Brasília em 2005, institucionalizou um diálogo birregional sobre comércio, cultura, desenvolvimento e política. Não criou uma área de livre comércio nem eliminou barreiras. O IBAS avançou em consultas e projetos trilaterais; seu fundo passou a financiar iniciativas em terceiros países, com escala limitada. Brasil e Índia também participaram do G4, com Alemanha e Japão, defendendo reforma do Conselho de Segurança, sem conseguir alterar sua composição. Na OMC, o G20 comercial coordenou posições agrícolas, mas a Rodada Doha não foi concluída. O resultado duradouro foi criar canais de diálogo e cooperação. Alguns perderam visibilidade com o crescimento dos BRICS, mas não foram formalmente substituídos.
O que estava em jogo
As negociações comerciais e financeiras internacionais eram dominadas por países ricos. O Brasil buscou alianças capazes de ampliar a voz dos países em desenvolvimento, defender interesses agrícolas na OMC e apoiar reformas no Conselho de Segurança e nas instituições financeiras.
O percurso
Entre 2005 e 2006, a diplomacia brasileira combinou o G20 comercial, o IBAS, encontros com países árabes e africanos e articulações que mais tarde alimentariam os BRICS. As viagens ligaram cúpulas multilaterais a reuniões bilaterais, evitando depender de um único bloco.
Encontros e decisões
O G20 da OMC coordenou posições sobre subsídios agrícolas; o IBAS ampliou projetos de cooperação; e a primeira Cúpula América do Sul–Países Árabes, realizada em Brasília em 2005, criou um novo fórum birregional. O Brasil também defendeu maior representação de países em desenvolvimento nos organismos internacionais.
Resultados documentados
As coalizões aumentaram o poder de negociação dos países em desenvolvimento e impediram que acordos agrícolas fossem fechados sem considerar seus interesses. O fundo do IBAS financiou projetos em países de menor renda. A reforma do Conselho de Segurança, contudo, não avançou.
O que aconteceu depois
Parte dessas alianças foi incorporada a fóruns mais amplos, especialmente os BRICS e o G20 financeiro. Outras perderam ritmo. O legado principal foi tornar a coordenação Sul-Sul uma prática permanente da diplomacia brasileira.
Cronologia resumida
- abr 2005: missão africana
- 10–11 maio: primeira Cúpula ASPA
- 2005: articulações G20, IBAS e G4
- fev 2006: nova missão africana
- 12–13 set 2006: primeira Cúpula do IBAS
Fontes consultadas (4)
- Declaração de Brasília da ASPA
- Documentos do IBAS
- Viagens internacionais de 2005 e 2006
- Resenha de Política Exterior
Atualizado em 21 de setembro de 2026
