
Territórios e reparação
No Rio Doce, atingidos querem decidir a reparação
Quem faz a luta · voalula.com

Comunidades organizadas no MAB cobram direitos e participação nas decisões. Projetos comunitários colocam em disputa quem define a reconstrução dos territórios.
Entre 9 e 12 de junho de 2026, comunidades do Médio Rio Doce entregaram uma carta a representantes do governo federal durante encontros sobre reparação. Organizadas no Movimento dos Atingidos por Barragens, cobraram a regulamentação da Política Nacional de Direitos das Populações Atingidas por Barragens.
O relato publicado pelo MAB registra uma reivindicação central: as pessoas atingidas precisam participar da definição dos seus direitos. A carta defendia que o reconhecimento dos danos não ficasse subordinado aos interesses das empresas responsáveis.
A organização coletiva enfrenta também o desgaste de ter de demonstrar repetidamente um prejuízo. Reunir relatos e reivindicações permite que uma comunidade chegue à negociação com uma pauta comum.
Nos mesmos encontros de junho, os participantes discutiram o edital Rio Doce Participativo e Comunitário. O movimento apresentou essa abertura como resultado de anos de mobilização por recursos destinados a propostas dos próprios territórios.
Em 19 de outubro, o governo federal formalizou em Governador Valadares os contratos do edital. A Secom informou a seleção de 1.464 projetos em 49 municípios, com R$ 433 milhões destinados às iniciativas.
Entre os objetivos estão geração de renda, economia solidária e autonomia de povos indígenas, comunidades quilombolas e outras comunidades tradicionais. A assinatura marca uma etapa de execução, e não comprova, sozinha, a conclusão da reparação.
Há uma diferença concreta entre receber uma solução pronta e participar da escolha do que será feito. Uma comunidade conhece os caminhos que ficaram mais difíceis, a atividade econômica perdida e os serviços que deixaram de atender.
A atuação do MAB reúne essas experiências para levá-las às mesas de decisão. O desafio continua depois da seleção: acompanhar os recursos, cobrar as entregas e manter a participação de quem será afetado por cada projeto.
O acervo dessa luta deve guardar as conquistas e também os pedidos apresentados pelas comunidades. A reparação ganha sentido quando ajuda as pessoas a reconstruir condições de viver e decidir sobre o próprio território.
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