
Alimentação e solidariedade
A colheita encontrou a periferia em Belo Horizonte
Quem faz a luta · voalula.com

Na Feira da Reforma Agrária, produtores e Mãos Solidárias reuniram quatro toneladas de alimentos para vinte territórios. A experiência aproxima quem planta de quem precisa comer.
Os feirantes reservaram 5% da produção para uma ação coletiva. Em 12 de setembro de 2026, durante a VI Feira Estadual da Reforma Agrária, em Belo Horizonte, o MST e o Mãos Solidárias reuniram quatro toneladas de alimentos para vinte territórios.
O registro, publicado pela Página do MST no dia 16, mostra uma rede que começa nos assentamentos e alcança instituições e cozinhas parceiras. A organização da entrega aproximou agricultores de quem enfrenta a insegurança alimentar nas cidades.
A doação carrega o trabalho de quem preparou a terra, colheu, transportou e separou os alimentos. Para chegar a uma cozinha, essa produção depende também de pessoas que conhecem as famílias e as necessidades de cada território.
A programação incluiu a Mesa de Thereza, da artista e professora Thereza Portes. O público partilhou uma grande rosca, café e a experiência de bordar uma toalha coletiva. Ao redor da mesa, a alimentação se encontrou com a criação artística.
A contramestra Flávia Soares, da Associação Cultural Eu Sou Angoleiro, explicou à reportagem que os mantimentos apoiariam o encontro Aldeia Quilombo no Século XXI. Uma entrega de alimentos ajudava, assim, a sustentar outra experiência comunitária.
Esses vínculos fazem diferença na continuidade de uma iniciativa. Uma organização não precisa começar do zero quando encontra quem já produz, quem já cozinha e quem já reúne a comunidade.
O Mãos Solidárias atua também com cozinhas e educação popular. A reportagem de junho do Brasil de Fato descreveu essa combinação de alimentação, formação e vínculos comunitários em Minas.
A experiência da feira ajuda a enxergar o caminho da solidariedade: uma contribuição pequena de muitos produtores pode atender vários lugares quando existe organização para reuni-la e distribuí-la.
O combate à fome depende de renda e políticas públicas duradouras. Ao mesmo tempo, quem está preparando uma refeição hoje precisa de insumos, transporte e condições de trabalho. Aproximar essas duas escalas é uma contribuição concreta dos movimentos populares.
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