
Povos indígenas
Taquaperi cobra proteção para continuar vivendo
Quem faz a luta · voalula.com

Após o assassinato do vice-cacique Givaldo Santos Kaiowá, em maio, a comunidade exigiu investigação e segurança. O caso integra uma luta permanente pela vida indígena.
Givaldo Santos Kaiowá tinha 40 anos e era vice-cacique da Reserva Indígena Taquaperi, no sul de Mato Grosso do Sul. Foi assassinado em 1º de maio de 2026. Deixou esposa, seis filhos e um neto, segundo o Ministério dos Povos Indígenas.
No dia seguinte, representantes do MPI e da Funai chegaram à comunidade e encontraram um protesto na MS-289. Os Guarani Kaiowá cobravam a prisão dos responsáveis e o fim dos assassinatos de lideranças. A nota ministerial lembrava outras duas mortes de vice-caciques no ano anterior.
A reação reuniu luto e reivindicações concretas. A comunidade pediu iluminação, uma passarela, câmeras e controle de velocidade na rodovia. Segurança também era poder atravessar o lugar onde vivem.
O assassinato de uma liderança atinge uma família e compromete o trabalho de toda a comunidade. Quem acompanha conflitos, apresenta denúncias e representa reivindicações assume riscos que não podem ser naturalizados.
O registro de maio mostra os moradores falando por si e exigindo providências. A presença das equipes federais foi uma resposta inicial à ocorrência. A proteção permanente depende da continuidade das medidas e da investigação do crime.
Esta reportagem recupera aquele episódio. A fonte consultada não traz uma conclusão da investigação, e não permite atribuir o homicídio a uma motivação específica.
Em 27 de outubro, uma nota conjunta de três ministérios informou a atuação de uma força-tarefa diante de denúncias envolvendo indígenas, quilombolas e povos de terreiro após o segundo turno. O documento tratava de apuração e responsabilização, sem relacionar esses casos ao assassinato em Taquaperi.
Dar visibilidade às comunidades exige manter essa precisão e ouvir suas reivindicações. As vidas indígenas não podem aparecer apenas quando há uma morte. A defesa do território, a proteção de quem denuncia e a capacidade de organizar o cotidiano pertencem à mesma luta por continuar vivendo.
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