
Comunicação e direitos
Coalizão de 25 organizações reivindica lugar nas decisões
Quem faz a luta · voalula.com

Uma articulação de 25 organizações de comunicação de periferias, favelas, quilombos e territórios indígenas quer participar das decisões sobre como enfrentar a desinformação no Brasil. Em posicionamento publicado na sexta-feira (6), a Coalizão de Mídias Periférica, Favelada, Quilombola e Indígena cobra financiamento contínuo e reconhecimento do conhecimento produzido nas comunidades.
O documento, divulgado pela Periferia em Movimento, apresenta três reivindicações: participação na formulação da estratégia nacional, recursos públicos e filantrópicos descentralizados e autonomia para produzir conhecimento. A coalizão rejeita ser tratada apenas como público de pesquisas e campanhas.
Seu argumento parte de um trabalho anterior às plataformas digitais. Rádios comunitárias, jornais de bairro e cursinhos populares já formavam leitores críticos e denunciavam o racismo. Hoje, essa experiência alcança também a identificação de golpes no WhatsApp e o uso de informações públicas na defesa dos territórios.
Educação midiática significa aprender a avaliar informações, reconhecer manipulações e produzir conteúdo com responsabilidade. É o tema da semana nacional organizada pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência, que vai de 4 a 10 de novembro.
Segundo a Agência Brasil, a programação reúne mais de 300 atividades em todas as regiões. Há debates, formações presenciais e ações on-line dirigidas à participação democrática e à proteção de direitos no ambiente digital.
A agenda federal abre uma oportunidade para que a experiência comunitária entre na elaboração da política pública. A reivindicação da coalizão põe em discussão quem recebe os recursos e quem define as prioridades, além de quem participa das oficinas.
No posicionamento, a articulação anuncia uma delegação em Brasília para dialogar com o governo, universidades e organismos internacionais. As demandas são por participação e sustentação permanente do trabalho local. O documento não anuncia repasse de recursos nem compromisso firmado pelo governo.
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