
Trabalho e solidariedade

Sindicatos de trabalhadores portuários preparam uma jornada internacional para esta sexta-feira, 30 de outubro, em defesa dos empregos e contra o uso dos portos no transporte de armas para zonas de guerra. No Brasil, Eduardo Guterra, vice-presidente da Federação Nacional dos Portuários (FNP) e dirigente da CUT, relata articulações com representantes de seis estados. A programação brasileira ainda depende da confirmação das entidades locais.
Na entrevista publicada por Luiz R Cabral no portal da CUT em 27 de outubro e atualizada no dia 28, Guterra menciona iniciativas no Espírito Santo e contatos em Santos, Rio de Janeiro, Bahia, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. As direções recomendam protestos, com possibilidade de atos nas entradas dos portos e paralisações.
A mobilização liga o trabalho nos terminais a decisões que afetam quem movimenta as cargas: contratação, renda e condições de segurança. O dirigente alerta para o uso gradual da inteligência artificial em procedimentos administrativos de chegada e liberação de mercadorias e defende negociação entre sindicatos e empresas.
A convocação divulgada pela Federação Sindical Mundial em agosto reúne reivindicações de aumentos reais de salários, empregos seguros, redução da jornada e aposentadorias dignas. Também rejeita o uso da automação e da inteligência artificial para eliminar postos ou enfraquecer direitos.
Para os sindicatos, a disputa é sobre quem recebe os ganhos da modernização e quem paga seus custos. A Declaração de Istambul cobra que o desenvolvimento dos portos sirva às necessidades dos trabalhadores. Seu programa inclui acordos coletivos, prevenção de riscos e oposição à intensificação do trabalho e à subcontratação precária.
O chamado nasceu do terceiro encontro de sindicatos portuários do Mediterrâneo e da Europa, realizado em Istambul em maio de 2026. Entre os signatários estão CGT Ports and Docks, da França; ENEDEP, da Grécia; LAB, do País Basco; Liman-İş, da Turquia; ODT, do Marrocos; e USB e ORSA Porti, da Itália.
O documento, republicado pela Internacional Progressista em setembro, propõe impedir que portos sejam usados para transportar armas, munições e tropas destinadas às guerras. Defende o fim do genocídio do povo palestino, o reconhecimento de um Estado palestino e recursos públicos para salários, saúde e educação em lugar do rearmamento.
A articulação retoma a jornada internacional de 6 de fevereiro, que, segundo a declaração, mobilizou trabalhadores em sete países e 20 portos. Para 30 de outubro, cada sindicato decidirá a forma de participação conforme as condições locais. A coordenação busca transformar o controle coletivo sobre a movimentação de cargas em pressão por direitos e solidariedade aos povos atingidos pelas guerras.
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