
Acorda: o tratamento do câncer vai faltar. O governo Bolsonaro propôs cortar 45% da verba de oncologia para bancar o orçamento secreto
O Orçamento de 2023 enviado por Jair Bolsonaro cortava 45% do programa de oncologia do SUS e outras redes de atenção, para abrir espaço ao orçamento secreto de R$ 19,4 bilhões.
Câncer não espera orçamento. Cada aparelho de radioterapia que não chega significa fila maior para quem já está em tratamento.
O Orçamento de 2023, enviado em setembro de 2022 pelo governo Bolsonaro, propunha cortar 45% da verba de oncologia da rede de atenção a doenças crônicas do SUS. O valor caía de R$ 175 milhões para R$ 97 milhões.
Esse dinheiro paga estruturação de unidades de atenção especializada: tomógrafos e aparelhos de radioterapia, reformas de hospitais, rastreamento e diagnóstico, centros de referência de câncer de mama e de colo do útero.
Outras redes foram cortadas junto. A Rede Cegonha, de atenção à mãe e ao bebê, perdeu 61%. A rede de saúde mental perdeu 61%. A rede de cuidados à pessoa com deficiência perdeu 56%.

Os cortes vieram de uma redução linear de 60% nas despesas de saúde do projeto. A conta fechava com R$ 19,4 bilhões reservados ao orçamento secreto. O Ministério da Saúde disse que buscaria ajustes na negociação com o Congresso, sem garantia de reposição.
Esse é o governo de que a campanha de Flávio descende. Rogério Marinho e Daniella Marques, dois coordenadores dela, trabalharam nele. A campanha promete tesouraço e regra fiscal mais dura, e a Folha relata que a equipe estudou limitar os gastos de saúde à inflação.
No pior cenário, o corte atrasa o diagnóstico, e o câncer descoberto tarde vira tratamento mais caro, ou nenhum. A mulher que espera meses pela mamografia descobre o tumor numa fase em que o SUS já não consegue tratar.
Análise do Voa Lula, baseada em fatos, falas, histórico, outros governos e interpretação.

