
Lula no Palácio do Planalto, em 18 de janeiro de 2023. Foto: Ricardo Stuckert/PR.
Nos primeiros meses do terceiro mandato de Lula, pesquisas registraram aprovação do governo entre pessoas que declaravam ter votado em Bolsonaro em 2022. A BBC reuniu esses dados em julho de 2023 e ouviu pesquisadores para examinar a mudança.
O Ipec encontrou 8% de avaliação ótima ou boa entre os entrevistados que diziam ter escolhido Bolsonaro no segundo turno. Numa pergunta sobre a forma de administrar, a aprovação nesse grupo chegava a 19%. A Quaest também identificou aprovação entre antigos eleitores do adversário de Lula.
As perguntas mediam julgamentos diferentes, num momento específico do governo. O dado central era a existência de pessoas que votaram num candidato e passaram a avaliar positivamente o presidente eleito. A decisão da urna não havia encerrado sua capacidade de julgar o mandato seguinte.
Márcia Cavallari, do Ipec, e Felipe Nunes, da Quaest, relacionaram essa avaliação à percepção da economia e das condições de vida. Preços, poder de compra e entregas do governo podiam mudar o julgamento de parte do eleitorado.
A diferença entre campanha e governo aparece nesse percurso. A campanha organiza a disputa em torno de promessas, rejeições e imagens dos candidatos. O mandato acrescenta decisões que chegam ao orçamento, ao serviço público e à rotina.
Um eleitor pode acompanhar essas entregas sem ter participado da vitória presidencial. A política pública atende a população de um país, incluindo quem fez outra escolha. Reconhecer um resultado favorável preserva a autonomia de avaliação depois da eleição.
A existência desse grupo também desfaz a ideia de um eleitorado completamente imóvel. Votar em Bolsonaro reuniu motivações distintas e graus diferentes de envolvimento. Parte das pessoas acompanhava a administração seguinte com critérios que ultrapassavam a fidelidade ao ex-presidente.
A experiência cotidiana oferece um terreno comum para conversar sobre governo. Um preço que mudou, um serviço que voltou ou uma dificuldade que persistiu permite comparar resultado e expectativa. A discussão ganha conteúdo quando se apoia nessa experiência, em vez de cobrar defesa permanente do voto.
As pesquisas de 2023 registraram essa abertura num período determinado. Pessoas que haviam escolhido Bolsonaro reconheciam resultados positivos sob Lula. O governo passava a ser julgado pelo que fazia, e o voto anterior deixava de comandar todas as avaliações seguintes.
Fontes consultadas (2)
Ricardo Stuckert/PR. Origem da imagem · Licença · Recorte para a capa. Imagens e transparência · Metodologia
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