
Romi Bencke durante participação na Câmara dos Deputados. Foto de arquivo. Foto: Lúcio Bernardo Jr./Câmara dos Deputados.
Romi Márcia Bencke descreveu à BBC, em dezembro de 2021, como a polarização política atravessava as igrejas e dificultava o trabalho comunitário. A pastora luterana relatou que até conversas sobre pobreza e passagens do Evangelho podiam ser recebidas como posicionamentos partidários.
Ordenada em 1999, Bencke tornou-se em 2012 a primeira mulher a assumir a secretaria-geral do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs. Sua experiência incluía trabalho com migrantes, cidadania e direitos das mulheres, assuntos que passaram a encontrar novas barreiras na convivência religiosa.
A pressão mudava o sentido da conversa. Um tema ligado ao cotidiano da comunidade deixava de ser ouvido por seu conteúdo e passava a receber um rótulo. A pessoa era julgada pelo campo político ao qual os demais supunham que pertencia.
Esse mecanismo restringe o cuidado. Uma igreja acolhe necessidades que atravessam preferências eleitorais: luto, desemprego, doença, fome e conflitos familiares. Se cada assunto precisa passar por uma prova de alinhamento, o atendimento à vida concreta perde espaço.
No CONIC, Bencke defendeu a liberdade religiosa em relação com democracia e direitos humanos. A crença de uma pessoa convive com a liberdade das outras. Essa proteção se enfraquece quando um dirigente usa a religião para justificar hostilidade ou excluir quem diverge.
A própria comunidade fica empobrecida ao perder diferenças que antes podia discutir. O trabalho religioso reúne interpretações, histórias e formas de viver. A cobrança de unanimidade entrega essa diversidade a uma liderança que passa a definir quem merece confiança.
A polarização também pode entrar por mensagens recebidas fora da igreja. O fiel chega ao encontro comunitário com explicações e suspeitas construídas nas redes. A relação presencial passa a reproduzir conflitos que foram organizados num ambiente digital distante.
Bencke descreveu o receio de lideranças diante de divisões internas. Evitar certos assuntos pode preservar a aparência de paz por algum tempo, mas deixa necessidades sem conversa e permite que a pressão partidária continue determinando o que pode ser dito.
Sua atuação oferece uma referência religiosa que sustenta o diálogo com direitos e vida social. Uma comunidade preserva sua liberdade quando o pertencimento não depende de repetir a posição de um candidato. O acolhimento perde alcance quando a divergência é tratada como falta de fé.
Fontes consultadas (2)
Lúcio Bernardo Jr./Câmara dos Deputados. Origem da imagem · Licença · Recorte para a capa. Imagens e transparência · Metodologia
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