
Faltam poucas semanas para a eleição presidencial brasileira, e Washington deixou de ser apenas um observador distante da disputa.
Em julho, o Brasil negou vistos a dois funcionários do governo Trump que pretendiam vir ao país para discutir integridade eleitoral. Autoridades brasileiras disseram que a visita poderia ser usada para colocar em dúvida o sistema de votação. O Departamento de Estado rejeitou essa interpretação.
Flávio Bolsonaro também aproximou sua candidatura dessa rede internacional. Ele se reuniu com Trump neste ano e lançou sua campanha destacando apoio de Javier Milei e Benjamin Netanyahu.
Na ONU, Trump comparou cartéis ao Estado Islâmico, defendeu resposta militar mais agressiva e falou em predominância americana no Hemisfério Ocidental. Brasil e México estão entre os países que não aderiram à coalizão regional criada por Washington para coordenar ações contra cartéis.
O ponto brasileiro aparece quando Washington aproxima crime organizado, terrorismo e poder militar. O governo Trump já defendeu classificações terroristas para organizações criminosas brasileiras. Lula rejeitou esse enquadramento e disse que o Brasil aceita cooperação, mas não intervenção estrangeira.
O calendário torna essa movimentação mais sensível. Trump apoia um candidato diretamente envolvido na eleição. Seu governo já tentou discutir o processo eleitoral brasileiro. Agora, a poucas semanas da votação, volta a falar em predominância regional e força militar.
Isso não demonstra que cada movimento de Washington tenha sido planejado para interferir na eleição. Mas analisar essas ações como se a eleição não existisse apagaria parte central do contexto.
O Brasil é a maior economia da América Latina, integra o BRICS, mantém relação estratégica com a China e está fora da coalizão regional montada por Trump. Uma eventual mudança de governo em Brasília alteraria significativamente essa relação.
Foi nesse ambiente que Lula afirmou na ONU que o Brasil não aceita tutela externa.
Fontes consultadas (3)
- Reuters, cobertura da política americana para o Hemisfério Ocidental e da eleição brasileira, setembro de 2026
- Tribunal Superior Eleitoral, calendário eleitoral
- Presidência da República / ONU
