
A reta final exige presença. Uma estimativa apresentada por Marcelo Tokarski, CEO da Nexus, aponta que a abstenção pode reduzir em cerca de dois pontos percentuais a votação de Lula. O efeito seria maior entre pessoas de baixa renda, eleitores com menor escolaridade e idosos, segmentos nos quais o presidente tem desempenho superior ao de Flávio Bolsonaro. Em uma disputa apertada, garantir que o voto popular chegue à urna virou tarefa central para proteger a democracia e impedir que dificuldades de transporte, desinformação ou desalento decidam o futuro do país.
Lula lidera, e a margem precisa chegar à urna
A pesquisa Nexus/BTG divulgada em 28 de setembro coloca Lula com 42% das intenções de voto no primeiro turno, contra 37% de Flávio Bolsonaro. A vantagem de cinco pontos está fora da margem de erro e representa avanço sobre a rodada anterior. No segundo turno, porém, o cenário permanece apertado: Lula tem 46% e Flávio, 44%, dentro da margem de erro.
O levantamento ouviu 2 mil eleitores por telefone entre 25 e 27 de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com 95% de confiança. A pesquisa foi contratada pelo BTG Pactual e registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BR-07557/2026. Os números mostram força de Lula no primeiro turno e também deixam uma obrigação evidente para a campanha democrática: transformar preferência declarada em comparecimento real.
A abstenção pesa sobre o voto popular
Tokarski explicou à CNN Brasil que os grupos historicamente mais sujeitos à abstenção coincidem com parcelas do eleitorado que hoje dão mais votos a Lula. Pessoas de baixa renda e menor escolaridade enfrentam obstáculos materiais concretos para votar. Entre os mais velhos, o peso também é relevante. O voto passa a ser facultativo a partir dos 70 anos, e Lula lidera entre eleitores com 60 anos ou mais nas pesquisas da Nexus.
O tamanho do problema aparece nos dados oficiais. No primeiro turno de 2022, 32.770.982 eleitores deixaram de votar, o equivalente a 20,95% do eleitorado apto, segundo o TSE. Compareceram 123.682.372 pessoas. A eleição daquele ano mostrou que uma diferença nacional pode ser menor do que a população de uma grande cidade. Quando milhões ficam fora das urnas, o poder de decisão passa para quem conseguiu votar.
Mobilizar é proteger a democracia
O alerta pede organização prática. É hora de conferir o local de votação, separar documento, planejar o deslocamento e ajudar familiares, vizinhos e pessoas idosas. Informação correta e solidariedade de bairro podem vencer barreiras que parecem pequenas isoladamente, mas se tornam gigantes quando atingem milhões de trabalhadores e moradores das periferias.
Lula chega à reta final na liderança do primeiro turno porque mantém apoio forte entre quem mais precisa de um Estado presente. Esse apoio precisa aparecer na urna. A extrema direita conta com o cansaço, a mentira e a desmobilização popular. A resposta democrática é simples e poderosa: ninguém fica para trás. Cada voto de quem trabalha, cuida da família e acredita em um Brasil soberano e justo precisa ser protegido até a confirmação na tela da urna.
Fontes consultadas (3)
- CNN Brasil, entrevista com Marcelo Tokarski, 28 de setembro de 2026
- CNN Brasil, pesquisa Nexus/BTG, 28 de setembro de 2026
- Tribunal Superior Eleitoral, totalização do primeiro turno de 2022
