
O Conselho Nacional de Justiça abriu uma correição extraordinária no gabinete do desembargador federal Newton Ramos, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região. Com apoio da Polícia Federal, a inspeção alcança processos do setor sucroalcooleiro ligados a créditos e precatórios bilionários.
A medida leva para dentro do tribunal as revelações produzidas pela investigação do Banco Master. O foco está numa sequência objetiva: decisões judiciais favoráveis a interesses empresariais, contatos registrados no celular de Daniel Vorcaro e um contrato milionário firmado pelo escritório da esposa do magistrado.
Os votos vieram antes do contrato milionário
Em 2024, Newton Ramos proferiu dois votos favoráveis a interesses que depois apareceriam relacionados ao Banco Master. Cerca de seis meses mais tarde, o escritório de advocacia de sua esposa assinou um contrato que poderia render até R$ 427 milhões, o equivalente a 5% de créditos estimados em até R$ 8,5 bilhões.
A dimensão do contrato impede que a coincidência seja tratada como detalhe lateral. O CNJ agora examina os processos, a tramitação e os atos praticados no gabinete para saber como decisões de tamanho impacto foram construídas.
O celular de Vorcaro mostra a rede
Mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro revelaram um circuito de contatos entre empresários, advogados e integrantes do Judiciário. Em parte das conversas, o grupo aparecia sob a expressão “Turma do KN”, referência associada ao ministro Kassio Nunes Marques.
O material não descreve apenas relações sociais. Ele registra uma rede que circulava em torno de negócios, processos e interesses capazes de movimentar bilhões de reais. É esse encontro entre acesso privilegiado e decisões públicas que transforma o caso Master numa crise institucional.
O que será conferido no gabinete
A correição permite ao CNJ verificar movimentações processuais, distribuição, prazos, decisões, comunicações e eventuais interferências externas. A Polícia Federal participa do trabalho para preservar e confrontar documentos ligados às investigações em curso.
O TRF1 informou que prestará a colaboração necessária. Newton Ramos afirmou que suas decisões foram técnicas e negou irregularidades. O escritório de sua esposa também sustenta que o contrato foi legal e sem relação com a atuação do desembargador.
O nome de Nunes Marques
O ministro Kassio Nunes Marques passou a integrar o contexto do caso por aparecer nas mensagens e relações identificadas pelos investigadores. Ele nega ter atuado para favorecer o Banco Master ou interferido nos processos examinados.
A presença de um ministro do Supremo nas conversas não prova participação em irregularidades, mas amplia a responsabilidade da apuração. Quanto mais alto o cargo e mais valioso o interesse econômico, menor pode ser a tolerância institucional com zonas de sombra.
O caso agora está nos documentos
O CNJ deixou de observar o caso à distância e entrou no gabinete onde os votos foram produzidos. A resposta virá do confronto entre processos, mensagens, contratos e cronologia.
A investigação precisa mostrar se a influência de Vorcaro parava nos hotéis, festas e viagens ou se também atravessou as portas dos tribunais.
Fontes consultadas (7)
- Conselho Nacional de Justiça
- Tribunal Regional Federal da 1ª Região
- Polícia Federal
- Metrópoles
- CNN Brasil
- Folha de S.Paulo
- Estadão
