Alexandre Knoploch levanta a camisa e deixa visível uma arma na cintura durante discussão na Tijuca, com ampliação circular do detalhe

Democracia

Knoploch exibe arma diante de militantes do PSOL

Campanha de Flávio Serafini relata spray de pimenta e agressões. O caso foi levado à Justiça Eleitoral, ao Ministério Público e à polícia.

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Deputado bolsonarista Alexandre Knoploch exibe arma diante de militantes do PSOL na Tijuca

Vídeo mostra o deputado estadual Alexandre Knoploch, do PL do Rio, levantando a camisa e revelando uma arma na cintura durante uma confusão diante do comitê de Flávio Serafini. A campanha do PSOL relata agressões e uso de spray de pimenta. Knoploch afirma que foi intimidado por militantes.

Reprodução de vídeo publicado pelo ICL Notícias

Um vídeo gravado nesta segunda-feira, 28 de setembro, mostra o deputado estadual Alexandre Knoploch, do PL do Rio de Janeiro, levantando a camisa e revelando uma arma presa à cintura durante uma confusão diante do comitê eleitoral do deputado Flávio Serafini, do PSOL, na Tijuca, Zona Norte do Rio. Knoploch é candidato à reeleição.

A cena ganha gravidade porque ocorre às vésperas da eleição e dentro de um ambiente que deveria garantir campanha livre, debate e circulação de militantes. A exibição da arma aparece nas imagens. As demais acusações, entre elas agressões e uso de spray de pimenta, foram apresentadas pela campanha de Serafini e ainda devem ser apuradas pelas autoridades.

O vídeo registra a arma na cintura

Na gravação, Knoploch aparece de boné amarelo, camiseta contra Lula e adesivos de campanha. Durante a discussão, ele ergue a camisa e deixa a arma visível na cintura. O registro sustenta o ponto mais objetivo do episódio: um deputado e candidato armado expôs o armamento diante de militantes adversários em plena atividade eleitoral.

Segundo o SBT News, a deputada federal Talíria Petrone, do PSOL do Rio, acionou a Justiça Eleitoral e o Ministério Público. Ela denunciou a exibição da arma contra militantes que estavam no comitê. A campanha de Serafini também informou que reuniria vídeos, imagens e testemunhos para registrar boletim de ocorrência e pedir providências judiciais.

O pedido anunciado inclui uma medida para impedir que Knoploch se aproxime do comitê, de integrantes da campanha, trabalhadores, voluntários e militantes ligados a Serafini. Até a publicação da primeira reportagem do SBT News, a assessoria do deputado não havia respondido ao veículo. Mais tarde, Knoploch apresentou sua versão em um vídeo nas redes sociais.

Serafini relata spray; Knoploch diz que foi intimidado

A equipe de Flávio Serafini afirmou que houve agressões, uso de spray de pimenta e exibição de arma de fogo em um contexto de intimidação política. Segundo a nota divulgada pela campanha e reproduzida pelo jornalista Ruben Berta, o caso seria registrado na 19ª Delegacia de Polícia. A campanha disse que adotaria medidas criminais, eleitorais e cíveis.

Knoploch afirmou que sofreu uma intimidação depois de reclamar de uma música com palavras ofensivas ao candidato presidencial do PL, Flávio Bolsonaro. Disse que cinco militantes avançaram em sua direção. Essa é a versão apresentada pelo deputado para o início da discussão. Ela não elimina a necessidade de investigar o uso do spray, as agressões relatadas e o sentido da exibição da arma registrada em vídeo.

O episódio também tem um antecedente direto. Em 20 de setembro, oito dias antes da confusão, Knoploch publicou que responderia com spray de pimenta a agressões durante a campanha. O deputado é coautor de uma lei estadual sobre a venda e o porte desse tipo de dispositivo para defesa pessoal de mulheres. Agora, a denúncia de uso do spray em um conflito eleitoral exige apuração específica sobre quem acionou o produto, contra quem e em quais circunstâncias.

Armas não podem impor as regras da campanha

A disputa política brasileira carrega um histórico recente de violência e intimidação alimentado pela extrema direita. Quando um candidato armado levanta a camisa e expõe o armamento diante de adversários, o gesto produz um efeito concreto, independentemente da versão apresentada para a discussão: desloca o conflito do campo da palavra para o risco físico.

A democracia defendida por Lula depende de eleições em que pessoas possam panfletar, reunir apoiadores, criticar candidatos e ocupar as ruas sem medo de violência armada. O Estado precisa responder com rapidez, ouvir todos os envolvidos, preservar os vídeos originais e verificar a regularidade do porte e da conduta registrada. Justiça Eleitoral, Ministério Público e polícia têm responsabilidade imediata nessa apuração.

A campanha de Serafini tem o dever de apresentar as provas que anunciou. Knoploch tem direito à defesa e deve explicar sua conduta às autoridades. A sociedade, por sua vez, tem o direito de exigir uma linha clara: arma à mostra diante de militantes não pode ser tratada como detalhe de uma discussão de rua. Campanha política exige argumento, voto e respeito à integridade de quem participa dela.

Fontes consultadas (4)
  • SBT News: Deputado do PL exibe arma em comitê do PSOL
  • Ururau Notícias: vídeo e versões do episódio na Tijuca
  • Alerj: perfil oficial do deputado Alexandre Knoploch
  • Coisas da Política: declaração anterior sobre uso de spray de pimenta
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