
Faltam poucos dias para a eleição e o Brasil está cercado por uma ofensiva americana. Donald Trump retomou a Doutrina Monroe, formou uma coalizão militar no continente, aproximou tropas das fronteiras brasileiras e prepara o envio de drones de guerra para a América do Sul. Washington também colocou PCC e Comando Vermelho na lista de organizações terroristas.
Os brasileiros escolherão o próximo presidente enquanto Trump reorganiza a América Latina como zona de influência direta dos Estados Unidos. O Brasil tem peso econômico, recursos naturais, relação próxima com China e Rússia e um governo que rejeita a tutela americana. Por isso ocupa o centro dessa pressão.
Trump recolocou a Doutrina Monroe no centro do governo
A Casa Branca deu nome oficial ao projeto. A Estratégia de Segurança Nacional apresenta o “Corolário Trump” à Doutrina Monroe e promete restaurar a primazia dos Estados Unidos no Hemisfério Ocidental. O texto prevê mudanças na presença militar, deslocamentos direcionados e maior acesso americano a posições estratégicas.
Em março, Trump reuniu presidentes aliados na Flórida e lançou o Escudo das Américas. A proclamação assinada naquela ocasião registra representantes de 17 países, treinamento de forças parceiras e mobilização de poder militar contra cartéis. Nesta semana, 14 integrantes da coalizão se encontraram em Nova York para discutir sanções contra 24 organizações ligadas ao narcotráfico.
PCC e Comando Vermelho já estão na lista americana de organizações terroristas. A classificação insere as duas facções numa lógica de guerra, aumenta o alcance das sanções e dá a Washington poder para pressionar outros governos. Os Estados Unidos passam a definir as ameaças e a organizar a resposta regional em nome do combate ao narcotráfico.
Brasil e México recusaram o convite para o Escudo. A ausência dos dois maiores países da América Latina expõe a divisão criada pela aliança de Trump, formada em sua maioria por governos próximos da direita americana. No Brasil, Lula concorre à reeleição defendendo justamente a autonomia rejeitada por Washington.
O cerco já alcançou o entorno do Brasil
O Paraguai autorizou a presença temporária de militares e civis americanos em missões conjuntas, treinamento e assistência técnica. O Comando Sul anunciou investimentos nas forças especiais paraguaias. O acordo oferece a Washington um ponto de apoio ao lado do território brasileiro e perto de uma área decisiva para energia, água e comércio.
O Pentágono também prepara a transferência para o Comando Sul da maior parte dos drones MQ-9 Reaper usados na África, de acordo com seis fontes ouvidas pela CNN. Esses aparelhos fazem vigilância, coletam inteligência e realizam ataques de precisão. O Equador aparece entre os destinos possíveis.
Uma empresa que atende clientes militares e de inteligência abriu um curso intensivo de português brasileiro para militares e funcionários do governo americano. O treinamento inclui tradução, interpretação e simulações e está marcado para outubro e novembro. A empresa não informou quem contratou o serviço nem para qual missão.
A Abin já levou sua preocupação ao Planalto, ao Ministério da Justiça e ao TSE. Em relatório reservado, a agência classificou como crítico o risco de influência americana na eleição e descreveu a pressão de Washington como gradual, combinada e adaptativa. A hegemonia dos Estados Unidos na América Latina voltou a ser prioridade de Trump, segundo a avaliação da inteligência brasileira.
A eleição agora envolve a soberania brasileira
A eleição de 2026 definirá a posição do Brasil no continente. Trump quer governos alinhados à sua política de segurança, aos interesses econômicos americanos e ao bloqueio de China e Rússia. Lula defende liberdade para negociar, preservar recursos estratégicos e decidir a política externa sem autorização de Washington.
A política anunciada pela Casa Branca reivindica poder sobre escolhas feitas fora dos Estados Unidos. Trump usa sanções financeiras, cooperação militar, inteligência, pressão diplomática, plataformas digitais e apoio político a aliados locais para recuperar o controle americano sobre a América Latina.
Na ONU, Lula disse que o Brasil não é quintal de ninguém. A eleição dará conteúdo prático a essa frase. Emprego, renda e programas sociais estarão na urna, junto com a capacidade de o país escolher seus parceiros, proteger suas riquezas e manter voz própria.
Trump já deixou claro o papel reservado ao Brasil: mercado, fonte de recursos e aliado obediente na política continental dos Estados Unidos. Em outubro, os brasileiros decidirão se aceitam esse lugar ou preservam a autonomia conquistada ao longo de décadas.
Fontes consultadas (8)
- Casa Branca — Estratégia de Segurança Nacional de 2025
- Casa Branca — Proclamação contra cartéis
- Reuters — Reunião do Escudo das Américas em Nova York
- CNN Brasil — Alerta reservado da Abin
- Câmara dos Deputados do Paraguai — Acordo SOFA
- UOL/CNN — Planejamento de transferência de drones MQ-9
- Veja — Vaga para instrutor de português
- Metrópoles — Programa de treinamento linguístico
