
Uma acusação de interferência estrangeira põe a CIA e Flávio Bolsonaro no centro de uma denúncia sobre a eleição brasileira. Em reportagem publicada em 6 de outubro, Jamil Chade, do ICL Notícias, relatou a afirmação do ex-agente John Kiriakou de que o serviço de inteligência dos Estados Unidos estaria plantando notícias favoráveis ao senador na imprensa brasileira e internacional.
O relato atinge uma questão decisiva para o país: o direito de escolher seu governo sem operações de uma potência estrangeira. Uma notícia apresentada como avaliação independente pode ganhar autoridade justamente porque o leitor desconhece quem trabalhou para colocá-la em circulação. É esse mecanismo de influência que Kiriakou descreveu.
A acusação divulgada pelo ICL
No programa Briefing Room, o ex-agente atribuiu a informação a uma conversa com um antigo colega da CIA. Segundo a reportagem de Chade, Kiriakou disse ter ouvido um rumor sobre atuação nos bastidores em apoio a Bolsonaro e descreveu o método como “plantando histórias pro-Bolsonaro tanto na imprensa brasileira como imprensa internacional”.
Kiriakou afirmou que não sabia se o relato era verdadeiro e não apresentou provas da operação. Sua declaração é uma acusação atribuída a uma fonte que ele não identificou publicamente. O conteúdo divulgado pelo ICL não permite apontar quais reportagens ou veículos teriam participado da ação descrita.
O ex-agente já havia levantado a hipótese nas redes sociais. A cobertura do UOL registrou também uma correção feita por ele: a conversa que mencionara ter mantido três anos antes fora com Lula, e não com Bolsonaro. Kiriakou esclareceu que a intervenção que alegava seria favorável ao candidato do PL.
Ao denunciar o possível plantio de notícias, ele apontou uma forma de interferência que opera antes da urna: influenciar a interpretação dos acontecimentos, construir reputações e dar aparência de constatação jornalística a interesses políticos. Essa é a gravidade da acusação, que alcança o ambiente no qual o eleitor forma sua decisão.
