
A campanha de Flávio Bolsonaro chegou à reta final com uma combinação vergonhosa: copia as propostas de Lula para disputar a atenção dos endividados, promete ao mercado um ajuste bilionário e rejeita o desafio de abrir os próprios sigilos nos termos oferecidos pelo adversário. A disposição para falar de transparência não acompanha a facilidade para acusar a família alheia.
Nesta terça-feira, 20 de outubro, a coluna de Túlio Amâncio no SBT News informou que aliados que integram a campanha confirmaram a decisão de não aceitar a proposta. No mesmo dia, Miriam Leitão, em O Globo, descreveu o improviso econômico do candidato. As duas notícias expõem uma candidatura que adapta o discurso ao público, mas resiste a uma cobrança concreta sobre suas próprias informações.
Copia a proposta e aumenta a promessa
Na avaliação de Miriam Leitão, Lula apresentou uma proposta de compra de dívidas antigas com delimitação de público e regras de desconto. Flávio adotou a ideia e ampliou a oferta: prometeu suspender pagamentos por seis meses para pessoas físicas e por um ano para empresas. A jornalista caracteriza essa versão como uma “cópia improvisada”, sem a mesma definição de alcance e custo.
Ao mercado financeiro, porém, o senador promete um corte de gastos de R$ 200 bilhões. A contradição destacada pela colunista está em anunciar mais despesas ao eleitor e contenção bilionária a investidores. Ela também critica a ideia de tratar uma eventual redução do custo da dívida pública como dinheiro imediatamente disponível para novas promessas.
O problema alcança diretamente quem espera sair do endividamento. Um programa precisa definir quais débitos entram, quem terá direito, quanto o credor aceitará reduzir e como será financiada a operação. Elevar a oferta no debate pode render uma boa frase, mas não fornece essas respostas. A prestação continua chegando à casa de quem ouviu a promessa.
Miriam também critica o caráter expansionista das propostas de Lula. A diferença que aponta está no estudo e na delimitação do desenho apresentado pelo presidente. Para quem precisa renegociar um débito, esses limites determinam a possibilidade real de atendimento. Uma oferta sem alcance definido permite conquistar a atenção de todos sem esclarecer quem será efetivamente beneficiado.
