
Flávio Bolsonaro (PL) recorreu ao áudio atribuído a Daniel Vorcaro para acusar Lula (PT) de receber dinheiro irregular no debate da Band, na noite de domingo, 18 de outubro. Na madrugada desta segunda-feira (19), o UOL Confere classificou a acusação como insustentável. A checagem confrontou a fala do senador com o material obtido pela reportagem e as negativas dos órgãos responsáveis pelas tratativas de delação.
O episódio renova a disputa sobre uma gravação divulgada pela Veja em 9 de outubro. Há três questões diferentes: quem fala no arquivo, se os pagamentos narrados aconteceram e se o relato foi apresentado formalmente às autoridades. O laudo contratado pela revista trata da gravação. As notas da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República negam o depoimento descrito na cobertura inicial.
A acusação volta ao palco do debate
O confronto colocou novamente as relações de Flávio com Vorcaro no centro da campanha. Lula cobrou explicações sobre os recursos negociados para o filme sobre Jair Bolsonaro. O senador respondeu usando a alegação contra o adversário, conforme os registros do debate publicados pela Folha e pela Band.
Na fala examinada pelo UOL Confere, Flávio associou R$ 30 milhões ao Instituto Lula. A reportagem da Veja se refere a esse valor para o documentário dirigido por Oliver Stone e a outra quantia, não informada, para o instituto. A acusação eleitoral precisa preservar essas distinções e demonstrar o caminho do dinheiro, em vez de apresentar uma narrativa como pagamento comprovado.
PF e PGR negam o depoimento descrito
Em nota oficial de 9 de outubro, a PF informou que Vorcaro não prestou o depoimento com o teor relatado pela Veja nem entregou à corporação anexos, documentos ou informações com aquele conteúdo. Acrescentou que as propostas de colaboração apresentadas pela defesa não atenderam aos requisitos legais. A notícia-crime recebida sobre a publicação foi encaminhada à área técnica.

