
O Banco Master tratava a relação com a CNN Brasil como uma oportunidade de disputar também o conteúdo da emissora. Reportagem de Juliana Dal Piva e Flávio VM Costa, do ICL Notícias, divulgou conversas de Daniel Vorcaro com Ana Matos, então responsável pelo marketing do banco, sobre perguntas de entrevista e influência editorial. Nas mensagens, ela menciona R$ 10 milhões por ano em publicidade.
O dinheiro compra exposição de marca, repetição e acesso a espaços comerciais. A pretensão descrita nas conversas avançava sobre outra fronteira: participar da definição da informação que chegaria ao público como jornalismo.
O Master queria acertar as perguntas antes
Em 3 de abril de 2025, quando o banco buscava defender a negociação com o BRB, Ana propôs acertar previamente as perguntas de Fernando Nakagawa. A frase publicada pelo ICL resume a exigência: “Tudo combinado. 100%”. Vorcaro desistiu de comparecer e enviou Paulo Gala, economista-chefe do Master.
O registro publicado pela própria CNN naquela noite confirma que Gala defendeu a operação. Na entrevista ao CNN Money, ele apresentou a compra anunciada de 58% do capital do Master pelo BRB como vantajosa para os dois bancos. Argumentou que o Master teria acesso a financiamento mais barato e que o BRB ampliaria sua atuação para além do Distrito Federal.
Gala também defendeu o Fundo Garantidor de Créditos e atribuiu ao arranjo entre plataformas de investimento, garantia de depósitos e bancos menores um papel no aumento da concorrência. Essa era a posição do representante do Master diante das críticas ao modelo de negócios da instituição.
