
O Ministério das Relações Exteriores reagiu nesta terça-feira, 20 de outubro, à manifestação de Javier Milei sobre a eleição presidencial brasileira. O presidente argentino insinuou que Lula poderia tentar fraudar a votação de domingo, 25. Em nota oficial, o Itamaraty classificou o ataque como uma “inaceitável tentativa de ingerência externa” no processo democrático brasileiro.
A resposta foi divulgada nesta tarde e reproduzida integralmente pela Exame. A diplomacia brasileira defendeu a segurança do voto eletrônico e afirmou que a escolha sobre o futuro do país pertence ao povo brasileiro. O novo episódio ocorre na reta final da disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro, a quem Milei já declarou apoio.
Ataque parte de um aliado de Flávio
Milei publicou a mensagem em sua conta no X, rede da empresa norte-americana controlada por Elon Musk. O texto foi acompanhado de um trecho de entrevista em que Lula defendia o fim da escala de trabalho 6×1 e mencionava o trabalho doméstico realizado por mulheres durante a folga. O conteúdo da postagem foi reproduzido pelo Metrópoles e por veículos argentinos.
O argentino tratou a fala como machismo, ofendeu Lula e acrescentou a insinuação de roubo da eleição. A discussão sobre jornada e descanso foi assim usada como ponto de partida para lançar suspeitas sobre o pleito. Esse deslocamento tem um efeito político concreto: leva o debate das propostas para a desconfiança na votação, antes de os eleitores concluírem sua escolha.
Primeiro turno foi considerado confiável
O balanço do primeiro turno oferece um contraponto factual à suspeita lançada por Milei. Em 4 de outubro, o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, afirmou que a votação transcorreu dentro da normalidade, sem ocorrências capazes de comprometer o exercício do voto, segundo registro da Agência Senado.

