
Indígenas de 43 aldeias do Vale do Javari, no Amazonas, pediram transporte fluvial, água e alimentação para votar no segundo turno, no domingo, 25 de outubro. A Justiça Eleitoral negou. A juíza Dálethe Borges Messias, da 42ª Zona Eleitoral, em Atalaia do Norte, alegou falta de prazo e de recursos para organizar as viagens.
O pedido foi apresentado pela União dos Povos Indígenas do Vale do Javari, a Univaja. À Agência Brasil, a entidade afirmou que a articulação com a Justiça Eleitoral, feita em eleições anteriores para garantir o deslocamento das comunidades, não aconteceu neste ano. A organização estima que a abstenção indígena no primeiro turno ficou entre 30% e 35%.
Univaja cobra transporte para 43 aldeias
A solicitação incluía rotas, pontos de embarque, horários, embarcações e combustível. Segundo o Amazonas1, as aldeias estão distribuídas em sete polos-base. A entidade queria incluí-las no planejamento oficial de transporte de eleitores.
Consultada pela Justiça Eleitoral, a Prefeitura de Atalaia do Norte informou que não tinha condições técnicas de executar a operação. Citou a vazante dos rios Javari, Curuçá e Ituí, bancos de areia e restrições à navegação noturna. Conforme a decisão relatada pelo portal, há trajetos de 321 a 895 quilômetros, com viagens de três a cinco dias ou mais.
A juíza apontou prazos de planejamento já vencidos e ausência de orçamento específico. Também registrou que faltavam, no requerimento, informações sobre o número de eleitores por aldeia e suas seções de votação. A Univaja contesta a falta de apoio e cobra do poder público condições para os indígenas votarem.
