
O direito de votar foi atingido em Salvador neste domingo, 25 de outubro, enquanto ônibus permaneciam nas garagens e eleitores esperavam transporte para chegar às urnas. O Tribunal Regional Eleitoral da Bahia determinou a prisão em flagrante de Pablo Souza, secretário municipal de Mobilidade, e ordenou a liberação de toda a frota. A decisão alcança o responsável por uma secretaria cuja obrigação era garantir o deslocamento da população.
O presidente do TRE-BA, desembargador Maurício Kertzman Szporer, encarregou a Polícia Federal de cumprir a ordem. Segundo o Bahia Notícias, que obteve a decisão, uma inspeção judicial encontrou coletivos retidos e ouviu de um supervisor que a operação havia sido reduzida por orientação da Secretaria Municipal de Mobilidade.
Ônibus na garagem, eleitores nos pontos
A Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, denunciou uma redução superior à metade da oferta habitual. O tribunal determinou o restabelecimento de 100% da frota, com frequência e itinerários de dias úteis, gratuidade e atendimento também no retorno dos eleitores para casa. Fixou prazo de uma hora após a notificação e multa de R$ 1 milhão por hora de descumprimento, solidariamente atribuída ao município, ao secretário e às concessionárias.
A dimensão do problema apareceu também na fiscalização do Procon-BA. Segundo o secretário estadual de Justiça e Direitos Humanos, Felipe Freitas, o órgão encontrou 252 ônibus aptos a operar, parados em três garagens da capital. Passageiros relatavam demora e lotação enquanto havia veículos disponíveis fora das ruas.
Para quem dispõe de carro, uma linha de ônibus a menos pode passar despercebida. Para quem depende dela, significa perder tempo de votação, procurar dinheiro para outro transporte ou enfrentar um percurso que a idade e a saúde nem sempre permitem. A desigualdade chega à porta da seção eleitoral antes mesmo de o eleitor poder escolher seu candidato.

