
Lula defendeu desenvolver no Brasil a exploração e o refino de terras raras e minerais críticos durante o debate presidencial da Band, neste domingo, 18 de outubro. O presidente e candidato à reeleição também cobrou de Flávio Bolsonaro explicações sobre o controle desses recursos na relação com os Estados Unidos. A posição coloca uma escolha industrial no centro da campanha: quais etapas da produção, da tecnologia e do trabalho ficarão no país.
Na cobertura da própria Band, Flávio negou a intenção de entregar recursos nacionais e afirmou ter viajado aos Estados Unidos para defender empresas e produtos brasileiros das tarifas comerciais. O UOL registrou, entre as propostas de Lula, o desenvolvimento da indústria nacional de exploração e refino e a manutenção do controle brasileiro sobre os recursos estratégicos.
Da jazida ao ímã, a disputa está no processamento
Terras raras são um grupo de 17 elementos químicos, explica o Ministério de Minas e Energia. Suas propriedades permitem aplicações em equipamentos eletrônicos, veículos elétricos, geração de energia e aparelhos médicos. O nome não significa que todos sejam escassos: a dificuldade pode estar na baixa concentração e nos processos necessários para separar e aproveitar cada elemento.
Extrair o material é uma etapa. Separar seus componentes, refinar os elementos e fabricar insumos industriais exige outras instalações, conhecimento e investimento. Quando o país participa apenas do começo dessa cadeia, deixa de realizar aqui parte do trabalho que transforma o recurso mineral em um produto pronto para a indústria.
O projeto MagBras oferece um exemplo concreto do caminho em desenvolvimento. Segundo o Centro de Tecnologia Mineral, o objetivo é estabelecer o ciclo brasileiro de produção de ímãs permanentes, da pesquisa e do beneficiamento à fabricação, aplicação e reciclagem. O CETEM trabalha em rotas nacionais de extração, separação e refino, inclusive a partir de ímãs usados.
ANM mostra o caminho entre pesquisa e produção
Em dados divulgados em 14 de outubro, a Agência Nacional de Mineração informou que o Brasil produziu 326 toneladas de terras raras na forma de concentrado de óxidos em 2025. As exportações desse concentrado somaram US$ 14,9 milhões. Já as importações de produtos da transformação mineral, como óxidos de elementos de terras raras e ímãs, chegaram a US$ 30,6 milhões.
