Meta recebe R$ 282 milhões das campanhas sob denúncias de interferência eleitoral
A empresa norte-americana Meta se tornou a maior destinatária de pagamentos diretos declarados pelas campanhas eleitorais brasileiras de 2026. A Facebook Serviços Online do Brasil, seu braço no país, recebeu R$ 282,4 milhões entre o início da campanha, em agosto, e 14 de outubro, segundo levantamento de Bruno Ribeiro, da Folha, com dados do Tribunal Superior Eleitoral, também publicado pelo ICL Notícias.
A cifra revela o tamanho do negócio que a eleição representa para a dona do Facebook, Instagram e WhatsApp. Ela aparece em meio a descobertas sobre anúncios políticos pagos no exterior, restrições à campanha de Lula e recomendações indevidas de conteúdos ligados a Flávio Bolsonaro. A mesma empresa que vende distribuição às candidaturas administra os sistemas que podem ampliar ou interromper sua circulação.
Milhões das campanhas entram no caixa da Meta
Os R$ 282,4 milhões correspondem a pagamentos diretos registrados nas contas das candidaturas até aquela data. O valor é parcial. Outros R$ 99 milhões foram declarados à intermediadora DLocal para impulsionamento digital, segundo a mesma reportagem. Essa segunda cifra não deve ser incorporada automaticamente ao total recebido diretamente pela Meta.
Nesse recorte, Flávio declarou R$ 7,5 milhões em repasses diretos à empresa, enquanto Lula declarou R$ 2,6 milhões. São registros de prestação de contas, com prazos e categorias próprios. O serviço comprado é o impulsionamento: pagar para que uma publicação chegue a mais pessoas, com direcionamento de público.
A concentração dá à plataforma poder sobre uma parte central da campanha. O candidato compra exposição, mas depende da classificação do anúncio, da autorização da conta e dos mecanismos de distribuição. Quando uma dessas etapas falha durante a reta final, horas de interrupção consomem um tempo de campanha que não volta.
Dinheiro estrangeiro comprou 171 milhões de exibições
O NetLab, laboratório da Universidade Federal do Rio de Janeiro, identificou 1.613 anúncios político-eleitorais impulsionados a partir do exterior por atores sem autorização para realizar propaganda eleitoral no Brasil. O estudo analisa peças publicadas entre julho e setembro. As páginas eram predominantemente apócrifas, com nomes genéricos e criação recente.

