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Democracia

Abin monitora volta de “Modo Nepal” às redes bolsonaristas

A expressão reaparece antes da eleição em grupos acompanhados pela inteligência.

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“Modo Nepal” volta às redes bolsonaristas e entra no radar da Abin antes da eleição

Relatórios recentes identificaram o retorno da expressão “Modo Nepal” em redes bolsonaristas e grupos monitorados por órgãos de inteligência. A referência é ao levante de 2025 que derrubou o governo nepalês depois de protestos que terminaram com dezenas de mortos, prédios públicos incendiados e ruptura institucional.

Imagem ilustrativa criada com IA

Faltam poucos dias para o primeiro turno das eleições brasileiras e uma expressão voltou a aparecer em grupos políticos monitorados pela Agência Brasileira de Inteligência: “Modo Nepal”.

Um relatório da Abin registrou aumento de grupos considerados extremistas em WhatsApp e Telegram. Participantes discutiam mobilização, possíveis alvos institucionais e a chamada “nepalização” do Brasil.

O termo também apareceu em levantamento sobre redes evangélicas ligadas ao bolsonarismo. Imagens dos protestos nepaleses passaram a acompanhar conteúdos dirigidos ao Supremo Tribunal Federal.

Em setembro de 2025, o governo do Nepal bloqueou dezenas de plataformas de redes sociais. A decisão serviu de estopim para protestos liderados principalmente por jovens, num país já marcado por frustração com corrupção, nepotismo e desemprego.

A repressão matou manifestantes. Nos dias seguintes, prédios públicos foram incendiados, o primeiro-ministro renunciou e o país entrou numa transição política turbulenta.

Durante alguns dias, instituições deixaram de funcionar normalmente e o quartel-general do Exército se tornou um dos principais locais de negociação da transição.

No Brasil, a expressão reaparece num país que já viveu o 8 de Janeiro, quando as sedes do STF, Congresso e Palácio do Planalto foram invadidas e depredadas.

A comparação relevante está no uso de imagens de ruptura institucional como modelo de mobilização. No Nepal, a sequência incluiu mortes, incêndios e vazio de poder. No Brasil, a referência aparece em ambientes que voltam a tratar o STF como alvo.

Isso não significa que todo perfil que usa a expressão defenda violência, nem que exista uma operação única para repetir o Nepal no Brasil.

O dado concreto é que órgãos de inteligência e pesquisadores passaram a identificar a mesma referência dentro de ambientes onde aparecem discussões sobre mobilização agressiva contra instituições às vésperas da eleição.

Fontes consultadas (6)
  • Agência Brasileira de Inteligência, relatório citado pela imprensa, setembro de 2026
  • Casa Galileia e Instituto Democracia em Xeque, levantamento sobre redes e radicalização digital
  • Reuters, cobertura dos protestos no Nepal em 2025
  • Kathmandu Post, balanços de um ano da revolta
  • Tribunal Superior Eleitoral, calendário das Eleições 2026
  • Supremo Tribunal Federal, registros oficiais sobre 8 de janeiro de 2023
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