
Relatores especiais e integrantes de um grupo de trabalho da ONU cobraram nesta quarta-feira, 21 de outubro, que a Meta explique possíveis restrições desproporcionais à expressão política na eleição brasileira. Os especialistas independentes pedem que a empresa norte-americana, dona do Instagram, Facebook e WhatsApp, examine seus sistemas e assegure recursos efetivos aos afetados ainda durante a disputa.
O comunicado não nomeia Lula ou Flávio Bolsonaro. A campanha do presidente denuncia favorecimento ao adversário, enquanto a Meta nega direcionamento político. A manifestação internacional amplia a cobrança por transparência; não constitui uma decisão judicial que comprove a acusação.
O pedido alcança moderação, buscas e inteligência artificial
A íntegra cita relatos de interrupções em conta de campanha, restrições no Instagram e diferenças de alcance, buscas no WhatsApp e geração de imagens por inteligência artificial. Solicita avaliação dos efeitos, aplicação consistente das regras, explicações e formas de contestar decisões.
Jamil Chade, do ICL Notícias, que obteve o comunicado enviado à missão brasileira em Genebra, destaca que o alerta também alcança jornalistas, defensores de direitos humanos e organizações civis. O grupo relaciona a capacidade de chegar ao público à possibilidade de participar do debate e mobilizar comunidades.
Entre os signatários estão Leopoldo Maldonado Gutiérrez, relator para liberdade de expressão; Margaret Satterthwaite, para independência de juízes e advogados; e Gina Romero, para reunião pacífica e associação. Atuam em capacidade individual, com mandatos do Conselho de Direitos Humanos. Suas posições não representam necessariamente a posição institucional da ONU.

