
O PT pediu à Polícia Federal, à Procuradoria-Geral da República e ao Ministério Público do Trabalho uma investigação nacional das listas que estimulam boicotes e demissões de pessoas apontadas como eleitoras de Lula. A iniciativa de Paulo Pimenta (PT-RS) e outros deputados, apresentada em 27 de outubro, foi relatada por Tainá Andrade, da Itatiaia.
Pedido busca autores e financiamento
Segundo a representação descrita pela reportagem, os materiais circularam em pelo menos oito estados. O partido quer identificar quem produziu as listas e apurar eventual coordenação e financiamento político. Também pede a preservação dos registros digitais e medidas contra demissões e recusas de contratação por preferência eleitoral.
A circulação já tem efeitos sobre quem vive do próprio negócio. Em reportagem publicada nesta quarta-feira (28), Gabriela Cecchin, Cristiane Gercina e Catarina Scortecci, da Folha, ouviram comerciantes que receberam mensagens hostis e ameaças depois de aparecer nas listas. Alguns disseram que nem haviam declarado seu voto. A exposição transforma uma preferência real ou atribuída em instrumento para afastar clientes e intimidar apoiadores do presidente reeleito.
Há precedente da eleição de 2022: segundo reportagem de Rogério Gentile, da Folha, o Tribunal de Justiça de São Paulo condenou duas pessoas, em segunda instância, por perseguição ligada a uma lista de boicote em Cafelândia. A decisão foi tomada em julho de 2025, após relatos de intimidação e prejuízos a comerciantes.
