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As últimas missões do segundo governo
No último ano, Lula aprofundou relações e participou de uma negociação nuclear com o Irã que não impediu novas sanções.
Imagem ilustrativa criada com IA
11. As últimas missões do segundo governo
2010 • Lula II
No último ano, Lula aprofundou relações e participou de uma negociação nuclear com o Irã que não impediu novas sanções.
Abertura
O Brasil já integrava G20 e BRIC e buscava atuação em segurança internacional. Em maio, uma missão passou por Rússia, Catar, Irã, Espanha e Portugal. Em Teerã, Lula e o premiê turco Recep Tayyip Erdoğan negociaram com Mahmoud Ahmadinejad. A Declaração de Teerã previa o depósito, na Turquia, de 1.200 quilos de urânio iraniano de baixo enriquecimento em troca de combustível para um reator de pesquisas. Estados Unidos e governos europeus consideraram que o texto não respondia a todas as preocupações, sobretudo após o aumento do estoque iraniano. Em junho, o Conselho de Segurança aprovou novas sanções; Brasil e Turquia votaram contra. A declaração foi um compromisso assinado, mas não solucionou o impasse. O acordo nuclear de 2015 teve outros participantes e mecanismos e não deve ser apresentado como execução direta da iniciativa de 2010.
O que estava em jogo
No último ano do segundo mandato, o governo tentou concluir agendas acumuladas e demonstrar que o Brasil podia atuar também em temas de segurança internacional. Ao mesmo tempo, precisava preservar relações construídas na América Latina, África, Oriente Médio e nos grandes fóruns econômicos.
O percurso
As missões de 2010 incluíram Haiti, Estados Unidos, Rússia, Catar, Irã, Espanha, Portugal e cúpulas do BRIC e do G20. A viagem ao Oriente Médio ganhou destaque por causa da negociação nuclear iraniana conduzida com a Turquia.
Encontros e decisões
Brasil, Turquia e Irã assinaram em 17 de maio a Declaração de Teerã, que propunha uma troca de combustível nuclear. A Agência Internacional de Energia Atômica recebeu o documento, mas Estados Unidos e outros membros do Conselho de Segurança consideraram a proposta insuficiente.
Resultados documentados
A Declaração demonstrou capacidade de mediação, mas não impediu a aprovação da Resolução 1929 do Conselho de Segurança, com novas sanções ao Irã; o Brasil votou contra. Em outras frentes, as missões mantiveram projetos de cooperação e prepararam a transição de governo.
O que aconteceu depois
O acordo de Teerã não se tornou solução para o programa nuclear iraniano. Anos mais tarde, outro formato de negociação produziu o acordo de 2015. O episódio permanece como exemplo dos limites e das possibilidades de uma diplomacia brasileira mais ambiciosa.
Cronologia resumida
- fev: viagem ao Haiti
- abr: cúpula de segurança nuclear
- abr: segunda cúpula dos BRIC
- maio: Rússia, Catar, Irã, Espanha e Portugal
- 17 maio: Declaração de Teerã
- jun: votação da Resolução 1929
Fontes consultadas (4)
- Declaração de Teerã
- Resolução 1929 do Conselho de Segurança
- AIEA
- Viagens internacionais de 2010
Atualizado em 21 de setembro de 2026
