Antônia Teixeira Alves fez campanha por Bolsonaro em 2018. Quatro anos depois, ao conversar com a Deutsche Welle, descreveu a dificuldade de comprar leite, carne e gás enquanto cuidava dos netos em Parelheiros, na zona sul de São Paulo.
A pensionista contou que as crianças haviam tomado café da manhã com pão, mas que faltara dinheiro para o leite. A promessa de melhora encontrava seu teste diário no orçamento doméstico.
O custo dos alimentos e do gás reduzia as escolhas da família. Antônia precisava distribuir a renda entre necessidades que continuavam chegando, mesmo quando o dinheiro terminava.
O aumento dos preços atingia uma renda que já tinha destino. Comer, cozinhar e cuidar das crianças exigia despesas recorrentes. Quando o leite ou o botijão encarecem, a família muda o cardápio e adia compras; o problema aparece antes de qualquer discurso sobre recuperação econômica.
Os números do IBGE ajudam a reconstruir o período. Em 2021, o gás de botijão acumulou alta de 36,99%, e a alimentação no domicílio subiu 8,24%. Esses aumentos pressionavam diretamente quem precisava preparar comida com uma renda pequena.
A pobreza também cresceu. O IBGE registrou 62,5 milhões de pessoas abaixo da linha adotada em 2021. A perda de renda e o encarecimento das necessidades básicas se encontravam no mesmo orçamento, retirando possibilidades de famílias que já tinham pouca margem.
A lembrança dos governos anteriores entrava nessa comparação pelo acesso ao mercado. Antônia julgava o mandato com uma medida que conhecia: aquilo que conseguia comprar. O apoio de 2018 perdeu sentido diante das dificuldades que precisava administrar todos os dias.
Quem cuida de crianças acumula a pressão econômica e a responsabilidade de responder às necessidades delas. O voto anunciado em 2022 vinha dessa experiência de cuidado. O preço da comida havia transformado a promessa de campanha numa cobrança sobre as condições de viver.
A postura do presidente durante a pandemia também pesou no afastamento. Ela se incomodava com as respostas dadas às dificuldades da população e com o tratamento dispensado às vítimas.
Em setembro de 2022, foi com os netos ao local de um comício e anunciou que votaria em Lula. A decisão vinha de uma comparação entre a expectativa de 2018 e as condições em que estava vivendo.
A mudança de voto tinha o tamanho de despesas essenciais. O governo que ajudara a eleger passara a ser julgado pelo alimento que conseguia levar para casa.
Fontes consultadas (3)
Imagem editorial ilustrativa. Imagens e transparência · Metodologia
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