Janete Szafran costumava votar no PSDB e escolheu Bolsonaro em 2018 por esperar uma mudança na política. Ao conversar com a Deutsche Welle, em 2022, falou sobre amigos mortos por Covid-19 e sobre a indignação com a postura do presidente durante a pandemia.
A profissional de relações públicas havia acreditado na imagem de um candidato diferente das lideranças tradicionais. Depois, avaliou que o conhecera pouco antes de votar.
As declarações e atitudes durante o governo desfizeram aquela impressão. A crise sanitária atingiu seu círculo de convivência e deu à avaliação política um peso pessoal: Janete estava falando de vidas que conhecia.
Quando a doença mata pessoas conhecidas, a avaliação da pandemia passa por ausências concretas. A estatística nacional convive com lembranças de conversas, encontros e rotinas interrompidas. Janete falava a partir dessa experiência, diante de uma liderança que havia frustrado sua expectativa.
Na CPI, os prazos de negociação de vacinas e a disputa sobre a cloroquina ajudaram a documentar as decisões do governo. Havia alternativas examinadas por instituições e escolhas feitas pelo Executivo. A crise sanitária podia ser reconstruída como uma sequência de atos, além das declarações presidenciais.
A busca por uma figura de pulso firme havia colocado a personalidade do candidato no centro da confiança. O exercício do cargo mostrou que comando depende de coordenação, preparo e relação com especialistas. A postura considerada forte durante a campanha podia entrar em conflito com a capacidade de enfrentar uma emergência.
A mudança também levava Janete para fora de seu hábito de votação. Anunciar apoio a Lula depois de preferir candidatos do PSDB exigia reconsiderar uma fronteira partidária conhecida. A experiência do governo Bolsonaro pesava mais que o costume.
O luto dava urgência a essa revisão. A discussão já não podia ficar presa à imagem de renovação apresentada em 2018. Ela incluía a forma como o poder público tinha agido quando a vida das pessoas próximas estava em risco.
Em 2022, anunciou voto em Lula e continuou cobrando resultados. Mantinha simpatia por outras candidaturas e desconfianças em relação à política.
A decisão se apoiava na experiência do mandato de Bolsonaro. O presidente que parecera representar renovação passara a ser julgado pela maneira como governara e reagira ao sofrimento da população.
As mortes de amigos permaneceram no centro de sua lembrança da pandemia. Ao retirar o apoio, Janete carregava uma avaliação do governo construída também pelo luto.
Fontes consultadas (3)
Imagem editorial ilustrativa. Imagens e transparência · Metodologia
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