João Lúcio votou em Bolsonaro pela promessa de uma política econômica liberal conduzida por Paulo Guedes. Ao Jornal Opção, em 2021, o advogado contou que a expectativa se desfizera ao observar a falta de autonomia que atribuía ao ministro.
Ele havia defendido o voto em conversas pontuais, quando perguntado. A confiança estava ligada à ideia de uma gestão econômica orientada por conhecimento técnico e resultados.
Depois da posse, passou a enxergar uma distância entre a propaganda de campanha e as decisões do governo. O espaço reservado a Guedes parecia diferente do comando da economia que lhe fora prometido.
Um programa econômico depende do governo que o executa. A promessa de autonomia para um ministro perde consistência quando as decisões políticas o desautorizam ou mudam o rumo anunciado. O eleitor que apoiou essa promessa passa a avaliar a administração inteira.
A defesa do mercado também convive com regras públicas que asseguram previsibilidade e direitos. Informação confiável, instituições de controle e liberdade de crítica permitem examinar escolhas e seus efeitos. O ataque a cientistas e jornalistas reduz a capacidade de conhecer esses efeitos.
O resultado econômico podia ser acompanhado para além dos slogans. O IPCA fechou 2021 em 10,06%, segundo o IBGE. A alta dos preços reduzia o poder de compra e colocava a experiência do governo no orçamento cotidiano das famílias.
João relacionava sua avaliação econômica ao tratamento dado às pessoas. A hostilidade a minorias e a quem discordava do presidente entrava na conta do mandato. A identidade liberal que sustentara o voto incluía uma preocupação com liberdade e com os limites do poder.
A crítica desfazia uma separação conveniente à propaganda: apresentar a economia como área isolada do comportamento presidencial. A mesma liderança que decide sobre tributos, ministros e orçamento também define sua relação com a ciência, a imprensa e os direitos. O governo é cobrado por esse conjunto.
A frustração ultrapassou esse tema. João também criticou o tratamento dado a minorias, jornalistas e cientistas. Para ele, uma eventual satisfação com a economia perderia sentido diante dos ataques a pessoas e à liberdade de pensar diferente.
Continuou convivendo com eleitores de Bolsonaro e observou decepção entre pessoas que haviam compartilhado sua expectativa econômica. O apoio se desfazia na comparação entre o programa anunciado e o governo realizado.
João Lúcio manteve sua referência liberal ao retirar a confiança no presidente. A crítica alcançava o desempenho econômico e o desrespeito a grupos que o governo tratava com hostilidade.
O advogado explicou que enxergava no liberalismo econômico a possibilidade de reduzir desigualdades por meio de políticas apoiadas em evidências. Foi por isso que a figura de Paulo Guedes, anunciada durante a campanha como responsável pela economia, o convenceu a votar.
Depois, passou a afirmar que Guedes era desautorizado e ridicularizado dentro do próprio governo. A propaganda de independência ministerial, que havia dado sustentação ao voto, contrastava com a interferência presidencial que ele percebia.
Fontes consultadas (2)
Imagem editorial ilustrativa. Imagens e transparência · Metodologia
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