
Otoni de Paula e Lula na cerimônia do Dia Nacional da Música Gospel, em 15 de outubro de 2024. Foto: Ricardo Stuckert/PR.
Marta frequentava havia décadas uma igreja evangélica numa capital do Nordeste. Em outubro de 2022, contou à BBC News Brasil que a cobrança por apoio a Jair Bolsonaro tornou insustentável sua permanência na comunidade.
Ela relatou pressões de pastores e de outros fiéis para seguir o candidato defendido pela igreja. A discordância eleitoral passara a ser tratada como uma demonstração de falta de fé.
Marta recorria à Bíblia para explicar o que a incomodava. Para ela, mensagens de agressividade e hostilidade a adversários não combinavam com os ensinamentos religiosos sobre amor e misericórdia.
A decisão afetou seus dois filhos, uma criança e um adolescente. A família tinha na igreja uma base de convivência e formação. As perguntas das crianças sobre a conduta dos adultos tornaram o conflito ainda mais doloroso.
Depois de anos participando da comunidade, Marta passou a não querer voltar ao templo. A fé permanecia importante, mas a imposição de uma escolha eleitoral havia alterado sua relação com aquele espaço.
Fontes consultadas (1)
Ricardo Stuckert/PR. Origem da imagem Imagens e transparência · Metodologia
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