Patrícia Costa foi à avenida Paulista protestar contra Bolsonaro em 19 de junho de 2021. A advogada havia votado nele três anos antes, por oposição ao PT e pelas promessas econômicas da campanha. A demora na vacinação mudara sua avaliação.
A manifestação ocorreu quando o Brasil chegava a meio milhão de mortes por Covid-19. À Folha de S.Paulo, Patrícia descreveu o crescimento da insatisfação durante a crise sanitária.
Como pessoa com nanismo, ressaltou a importância de uma resposta apoiada na ciência. A proteção à saúde passara a determinar sua relação com o governo.
A vacina colocava o tempo no centro da cobrança. Uma campanha de imunização depende de compra, distribuição e aplicação. Enquanto as etapas atrasam, a população permanece exposta e os profissionais de saúde continuam atendendo casos que pressionam o sistema.
O depoimento de Carlos Murillo à CPI, em maio de 2021, reconstruiu parte dessas negociações. A empresa norte-americana Pfizer apresentara ofertas concretas em agosto de 2020; o primeiro contrato foi assinado em março de 2021. Essa distância entre oferta e contratação entrou na investigação sobre a resposta do governo.
Para Patrícia, a avaliação das propostas econômicas passou a conviver com a necessidade imediata de proteção. A promessa de melhorar o país era cobrada no acesso a uma medida de saúde pública. O presidente escolhido em 2018 precisava responder por suas decisões no cargo.
A presença de Fernando Vigui ao seu lado mostrava um vínculo que sobrevivera à eleição anterior. Os amigos haviam escolhido candidatos diferentes e agora reconheciam uma cobrança comum. A divergência de 2018 deixou de impedir a atuação conjunta.
A manifestação aproximava trajetórias sem exigir que elas fossem iguais. Patrícia chegava ao ato como antiga eleitora do presidente; Fernando, como alguém que votara em Haddad. A urgência da vacinação dava à convivência um assunto concreto, capaz de ultrapassar a defesa do voto passado.
Foi ao ato com Fernando Vigui, ator e professor que votara em Fernando Haddad em 2018. Os amigos haviam feito escolhas diferentes naquela eleição e agora estavam juntos na rua.
A pandemia alterou o peso das promessas que a levaram a Bolsonaro. A expectativa econômica perdeu lugar diante da urgência de proteger vidas e acelerar a vacinação.
Na Paulista, Patrícia tornou público o afastamento. A discordância eleitoral entre os amigos dera lugar a uma cobrança compartilhada pela resposta do governo à crise sanitária.
Fontes consultadas (2)
Imagem editorial ilustrativa. Imagens e transparência · Metodologia
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