
Apoiadores de Bolsonaro na rampa do Planalto, em 6 de setembro de 2021. Foto: Marcos Corrêa/PR.
Rafael cresceu em uma igreja batista da zona sul de São Paulo. Os pais já frequentavam a congregação antes de seu nascimento. Ali fez amigos, trabalhou na comunidade e estudou para se tornar pastor. Aos 30 anos, decidiu deixar o lugar onde imaginava se casar e criar os filhos.
À BBC News Brasil, em 2022, descreveu a saída como uma experiência de luto. O rompimento alcançava décadas de vínculos pessoais e o futuro que havia planejado dentro da comunidade.
Segundo Rafael, candidatos de direita passaram a receber espaço durante atividades religiosas, enquanto pessoas associadas a causas sociais ou posições de esquerda não tinham a mesma abertura. A igreja se tornara um ambiente de cobrança de identidade política.
Rafael é negro e sentia falta de conversas francas sobre racismo. Incomodavam-no a tolerância com discursos militaristas e o silêncio diante da morte de jovens negros em operações policiais.
Quando disse que não votaria em Bolsonaro, ouviu insultos e acusações de que não seria um cristão verdadeiro. Pessoas chegaram a questionar sua salvação religiosa por causa da escolha eleitoral.
Uma frase sobre separar o Nordeste do Brasil por causa dos votos no PT atingiu especialmente Rafael: seu pai era baiano. A hostilidade política atravessava também a história da própria família.
A ruptura exigiu terapia, contou à BBC. Rafael passou a frequentar uma igreja presbiteriana onde não encontrava o mesmo uso partidário da religião. Para continuar vivendo sua fé, precisou abandonar uma comunidade que havia sido sua casa durante décadas.
Fontes consultadas (1)
Marcos Corrêa/PR. Origem da imagem · Licença · Recorte para a capa. Imagens e transparência · Metodologia
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