Victor Klein deixou de apoiar Bolsonaro porque queria um governo ainda mais radical. Na entrevista publicada pelo Jornal Opção em 2021, criticou a aproximação com o Centrão e continuou defendendo posições autoritárias, entre elas o fechamento do Supremo Tribunal Federal.
O nome é fictício, adotado pela reportagem a pedido do entrevistado. Victor temia a reação dos antigos aliados caso soubessem que havia retirado o apoio ao presidente. Mesmo mantendo ideias próximas às do grupo, preferia esconder a divergência.
Sua frustração vinha da cobrança de medidas que esperava ver realizadas. A negociação com políticos tradicionais era recebida como abandono dos compromissos assumidos com os setores mais radicais da base.
Victor contou que havia cortado relações com amigos de esquerda no período eleitoral. Continuava em grupos políticos digitais, mas temia sofrer retaliação se revelasse seu afastamento.
O fechamento do Supremo defendido por Victor atingiria uma instituição encarregada de proteger direitos e examinar os limites dos outros Poderes. Sua crítica ao governo mantinha, portanto, uma reivindicação de concentração de autoridade. A cobrança era por levar mais longe o confronto.
A Constituição organiza a separação de Poderes como um limite ao mando de uma pessoa ou de um grupo. Quando um governante encontra resistência, precisa disputar decisões dentro dessas regras. Retirar a instituição de controle altera o próprio terreno da disputa e deixa o cidadão mais exposto.
A acusação de traição podia operar em duas direções. Victor via abandono do programa radical nas concessões feitas pelo presidente. Ao mesmo tempo, receava ser atacado pelos integrantes que continuavam fiéis a Bolsonaro. A divergência com o chefe convivia com a pressão para manter silêncio.
Esse percurso explica por que um movimento autoritário pode continuar produzindo radicalização mesmo quando sua liderança perde apoio. Parte dos dissidentes transfere a expectativa para outra pessoa que prometa realizar o mesmo projeto. A frustração passa a alimentar uma cobrança por menos limites.
Uma ruptura democrática depende também da aceitação do direito de existir de quem pensa diferente. O desejo de eliminar tribunais e cortar relações com adversários preserva a estrutura da intolerância. No depoimento de Victor, a rejeição a Bolsonaro vinha acompanhada da manutenção dessa estrutura.
O desejo de fechar o Supremo permanecia depois da ruptura. A troca de avaliação sobre Bolsonaro convivia com a defesa de uma medida destinada a eliminar uma instituição de controle do poder.
Seu caso expõe dois problemas ao mesmo tempo: a pressão por obediência dentro dos grupos e a sobrevivência de convicções autoritárias depois que uma liderança perde o apoio. O rompimento com o presidente preservou, nesse caso, o projeto de radicalização.
Victor também criticou Bolsonaro por não ter defendido com mais força aliados como Daniel Silveira e Oswaldo Eustáquio, citados por ele na entrevista. Para esse eleitor, o problema não era o excesso de autoritarismo do governo, mas o que considerava falta de radicalismo.
Mesmo depois de abandonar Bolsonaro, Victor continuava participando de grupos políticos no Telegram e no Twitter. O receio de perder esse espaço de pertencimento foi tão forte que pediu ao jornal para não publicar seu nome verdadeiro.
Fontes consultadas (2)
Imagem editorial ilustrativa. Imagens e transparência · Metodologia
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