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Liliane Dias não gostava de discutir política. Administradora, com mais de duas décadas de trabalho na área de recursos humanos, decidiu contar publicamente por que votou em Jair Bolsonaro em 2018 e mudou de escolha quatro anos depois.
Ela diz que sempre teve simpatia por valores associados à esquerda: redução das desigualdades, respeito às diferenças, reparação histórica e defesa da democracia. Na eleição de 2018, entretanto, a decepção com Lula e o PT falou mais alto. Os escândalos de corrupção que acompanhara naquele período alimentaram seu desejo de mudança.
Bolsonaro não era um candidato com quem se identificasse plenamente. Liliane o considerava impulsivo e, por vezes, grosseiro. Ainda assim, acreditou que seria honesto e representaria uma mudança necessária. Foi assim que decidiu votar na direita.
A expectativa passou a ser confrontada com o cotidiano do governo. Ao observar declarações e posicionamentos sobre mulheres, meio ambiente, minorias e pessoas de menor renda, Liliane começou a reconsiderar o voto. A forma como o presidente tratava quem pensava diferente também pesou em sua avaliação.
Essa mudança não aconteceu num único episódio. No relato, ela descreve um processo gradual: observar o governo, comparar suas atitudes com os valores que considerava importantes e admitir que a escolha de 2018 deixara de representá-la.

Em 2022, Liliane voltou a apoiar a esquerda. Ao escrever sobre essa trajetória, reconheceu que mudar de opinião não é falta de convicção. A revisão pode nascer justamente da disposição de confrontar aquilo em que acreditávamos com novas informações e experiências.
Há uma diferença entre votar por expectativa e continuar defendendo uma liderança depois de conhecer seu governo. Liliane descreve a passagem de uma promessa de mudança para a avaliação de comportamentos e decisões concretas. O voto deixou de ser uma aposta e passou a ser confrontado com a experiência.
A pressão para manter uma posição política pode transformar decisões de uma eleição em compromissos difíceis de revisar. Admitir que uma escolha não correspondeu ao esperado exige voltar a conversas antigas, enfrentar discordâncias e explicar o que mudou. Ela resolveu fazer isso publicamente.

O texto de Liliane também mostra por que não faz sentido imaginar todos os eleitores de 2018 como um grupo imóvel. As razões de um voto são diversas. A maneira como cada pessoa acompanha um governo também é. Sua trajetória é particular, mas a possibilidade de reconsiderar decisões pertence a qualquer eleitor.
Ela escreveu: “Não me envergonho de mudar de opinião, porque não me envergonho de pensar”. O relato foi publicado em 3 de outubro de 2026, no perfil @lilianedias.elorh, onde pode ser consultado.
Leia o relato original e conheça o perfil público de quem contou esta história.
@lilianedias.elorh — abrir perfil